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Crise não atinge economia real e governo descarta intervenção

Para Mantega, a oscilação no mercado financeiro nesta quinta-feira é resultado de um movimento normal de investidores, chamado de stop loss

Fabio Graner, Luciana Xavier, Marisa Castellani, da Agência Estado,

16 de agosto de 2007 | 13h29

A oscilação no mercado financeiro nesta quinta-feira é resultado de um movimento normal de investidores, chamado de stop loss - venda de ativos para limitar as perdas. Por isso, o governo não adotará nenhuma medida de controle de capital. E, mais importante, é que a economia real do Brasil não foi abalada pela crise. Este foi o recado dado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira, quando a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair mais de 8% e o dólar foi vendido no pior momento do dia a R$ 2,1270. Veja também:Onda de prevenção a prejuízo se abate e juro futuro sobe O sobe de desce do dólar Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA Ouça a análise do comentarista Celso Ming  Segundo ele, há retração de investidores estrangeiros no País, mas o saldo cambial brasileiro continua positivo. "Temos mais entrada do que saída de recursos. Isso demonstra solidez da economia brasileira", afirmou. "O Brasil está mostrando porque era importante fazer reservas e ter contas públicas equilibradas." De acordo com o ministro, a turbulência financeira não afetou a economia real nem do Brasil nem de outros países. "Se não houve contágio da economia real não podemos falar de crise", comentou.  Mantega avalia, contudo, que ainda é cedo para se falar em um novo patamar para dólar. E que a depreciação dos ativos nesta quinta-feira é resultado de um movimento destop loss. Isso significa sair da posição de investimento realizar o prejuízo dos últimos dias. É a maneira que os investidores usam para cessar a queda de seus investimentos. A partir desta decisão, eles deixam os ativos de risco e migram para aplicações mais seguras. "Quando tem uma queda de ativos, os computadores das mesas de operação acendem a luzinha do stop loss e aí vem a ordem de venda dos ativos. Quando esta se dá em grande escala, ocorre o efeito manada. O que estamos vendo hoje é exatamente o efeito manada", disse Mantega. O ministro afirmou, porém, que não tem nenhuma informação sobre algum fundo de investimento no Brasil estar quebrando por causa da turbulência. Ele reforçou que o sistema brasileiro está muito sólido. "Mas os bancos poderão ter alguma perda ocasional. Sempre há uma rebarba", comentou. Ele disse que as condições econômicas do País para atingir o grau de investimento - considerado com baixo risco de crédito - estão mantidas. Ou seja, dívida pública, dívida interna, reservas internacionais e vulnerabilidade externa. "E, hoje, estamos bem em todos estes quesitos". O ministro destaca que o Brasil sairá da crise como o país escolhido para investimentos.  O ministro avalia que alguns países sairão "chamuscados da turbulência". Mas, segundo ele, o Brasil fará parte do "clube dos mais sólidos". Ele reforçou que, diante da turbulência dos mercados globais, o Brasil está "confortável, na medida do possível". Câmbio Mantega lembrou ainda que a menor exposição da dívida púbica brasileira em dólar beneficia o País. "Hoje o Tesouro e o Banco Central possuem ativos em dólar que se valorizaram. Nossa situação fiscal até melhorou. Do ponto de vista dos fundamentos, o Brasil não está sendo arranhado", afirmou. O ministro disse ainda que não vê necessidade de o Banco Central intervir no câmbio. "Mas isso quem decide é o BC. As avaliações serão feitas pelo BC no dia-a-dia", afirmou.  Para Mantega, é difícil dizer se o pico de alta do dólar foi atingido. "Não sei se foi atingido. Assim como subiu rapidamente, ele pode descer. O fato é que até agora o BC não teve que agir", frisou. Ele ressaltou que o fluxo cambial no Brasil se mantém positivo, com reservas internacionais. As reservas, segundo ele, têm sido a retaguarda do Brasil no momento de turbulência atual.  O ministro da Fazenda disse ainda que o momento de nervosismo dos mercados reforça a decisão do governo, defendida pelo próprio Mantega em junho, de manter a meta de inflação em 4,5% até 2009. "Você sempre tem que olhar as surpresas e turbulências no futuro. Uma meta mais flexível para o futuro dá retaguarda para momentos de adversidade", disse.  Impacto na inflação e juros Para Mantega, é cedo para avaliar o impacto da recente disparada do dólar na inflação e possível impacto na trajetória dos juros. O dólar abaixo de R$ 2 era um dos principais argumentos para a manutenção do atual ritmo de queda dos juros, mesmo com demanda mais aquecida. Hoje, o dólar passou todo o dia acima desse patamar, chegando a bater R$ 2,127.  "Faz 24 horas que o dólar está em R$ 2,10. Vamos aguardar o próximo Copom e os diretores do BC terão a lucidez de avaliar se isso pode ter algum impacto (sobre a inflação) ou não. Nesse momento, a resposta é não. Mas se houver algum risco eles vão fazer a avaliação adequada e não agora com muitos dias de antecedência", analisou. Mantega frisou que a produtividade está crescendo "de forma importante", os preços administrados têm caído, havendo muitos fatores favoráveis para redução de preços no Brasil.  De qualquer modo, o ministro disse que é preciso esperar por um cenário mais estável. "Não é no meio de um furacão que você vai fazer uma avaliação correta e ter os preços adequados. Os preços estão fora do equilíbrio", comentou. Mantega disse ainda que não está preocupado com uma redução de preços das commodities, mas, segundo ele mesmo que haja uma pequena desaceleração no comércio mundial, a economia brasileira continuará crescendo a "taxas aceleradas". "Pois mais de 80% do PIB é explicado pela atividade doméstica e não pela atividade externa. E ela vai muito bem, obrigado", concluiu.

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