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Crise não atrapalha debate do déficit zero, diz Palocci

Na avaliação do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, a crise política não atrapalha a discussão da proposta da meta de déficit nominal zero. "Pelo contrário, momentos como esses de entropia favorecem discussões de longo prazo", comentou, ao chegar para o jantar com empresários, parlamentares e ministros em que se debateu o plano elaborado pelo deputado Delfim Netto (PP-SP). "O conflito político vai encontrar seu momento de refluxo, solução das questões, e as questões econômicas vão avançar porque o País está preparado", acrescentou.O ministro comentou que todos os convidados do jantar "pensam o Brasil a longo prazo", o que garantiria um debate de boa qualidade. "O mais importante é que haja um compromisso da sociedade em torno disso", disse Palocci. Ele lembrou que o programa é algo que transcende o governo. "Não posso me comprometer com nada além de 2006, mas a sociedade pode fazer um compromisso de dez ou 15 anos", comentou.O ministro da Fazenda chegou ao encontro frisando que estava lá para debater. "O compromisso, por enquanto, é de discutir", frisou. Ele explicou que o centro da proposta não é o compromisso de reduzir o déficit nominal das contas públicas a zero, mas o controle das despesas públicas de forma "moderada". Questionado se o governo concordaria em elevar suas metas de superávit primário, conforme prevê o plano, Palocci desconversou. "O governo sempre fez e sempre fará o esforço fiscal necessário para que a economia continue equilibrada", disse. Ele tratou, porém, de deixar claro que a adoção de um objetivo referente ao resultado nominal das contas públicas (que inclui os gastos com juros) não afetará a atuação do Banco Central. "A política monetária não responde a outro objetivo que não seja o controle da inflação. Isso não muda", afirmou. "Mas penso que num desenho de gasto público e dívida mais controlada a longo prazo, o juro necessário para controlar a inflação tende a ser menor. É esse o efeito que se espera de um programa como esse, mas sem mágica."Tanto os integrantes do governo como expoentes da oposição, como o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) concordam com pelo menos parte do plano. "O governo tem de dar sinais que quer acabar com os gastos absurdos", afirmou o senador tucano. "Ter 35 ministérios e 20.000 cargos em comissão, isso é a antigestão." Ele se disse "pouco otimista" quanto ao futuro do plano de Delfim. "É uma proposta boa, mas para um governo que estivesse iniciando", comentou.No total, quatro ministros participaram do jantar de ontem. Além de Palocci, estavam o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, da Casa Civil, Dilma Roussef e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner. Também participou o presidente do BNDES, Guido Mantega. Os convidados chegaram por volta das 21 horas e ficaram alguns minutos conversando em pé, no hall, quando foram servidos vinhos e uísque. O jantar teve menu variado, tendo como pratos principais peixe e carne.

Agencia Estado,

06 de julho de 2005 | 00h32

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