Crise não brecou internacionalização de empresas,diz pesquisa

Mesmo com a crise, maior parte das empresas do setor de agronegócios não pensa em reduzir os investimentos

Célia Froufe, da Agência Estado,

28 de setembro de 2009 | 16h28

Os impactos da crise financeira internacional não impediram que as empresas brasileiras do setor de agronegócio continuassem com sua estratégia de internacionalização. Esta é uma das conclusões de um estudo apresentado nesta segunda-feira, 28, pelo Instituto de Economia Agrícola da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais da Globalização Econômica (Sobeet). À frente do levantamento, durante o qual foram apresentados questionários quantitativos e qualitativos a 63 empresas do setor, estão os economistas Pedro Augusto Godeguez da Silva, Mario Antonio Margarido e Luís Afonso Fernandes Lima.

 

A resposta predominante dos empresários a respeito da continuidade dos investimentos voltados para a internacionalização em 2008 e 2009, na comparação com 2007, foi a da estabilidade, de acordo com Godeguez da Silva. "Mesmo com os efeitos da crise, a maior parte das empresas não pensa em reduzir os investimentos", disse o economista à Agência Estado. Ele destacou que, em 25% de respostas, os representantes das companhias afirmaram, inclusive, que o objetivo era o de ampliar o total de recursos disponíveis para esse fim em mais de 30%.

 

No documento sobre o tema, os analistas ressaltam que as empresas do agronegócio assumem um papel de destaque nos investimentos diretos brasileiros no Exterior. A companhia doméstica considerada como a mais internacionalizada em 2007 foi a JBS-Friboi. Ela recebeu esse destaque dois anos antes de anunciar um grande processo de fusão com uma companhia do setor no Brasil e de adquirir uma empresa nos Estados Unidos.

 

Ao perguntar qual o principal motivo que levou a companhia a buscar novos mercados, os economistas identificaram duas grandes correntes: a de acompanhar a concorrência em mercados internacionais e a de acompanhar seus clientes. Já o que determina a escolha pelo primeiro local de trabalho fora do Brasil, de acordo com o estudo, é o acesso a mercados internacionais ou regionais. Também são levados em conta tamanho e o potencial de crescimento do mercado local.

 

Para ampliar os tentáculos das empresas no Exterior, o esforço é praticamente todo da companhia que busca se internacionalizar, conforme o levantamento da Sobeet. Isso porque o capital próprio é a grande fonte de financiamento, citado por metade dos que responderam à pesquisa. Bancos no Exterior também receberam votações expressivas. "É muito pequeno ainda o uso de bancos domésticos e do próprio BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", constata Godeguez da Silva.

 

Os empresários que buscam a internacionalização de suas companhias indicaram mais uma vez a carga tributária como um empecilho para esse processo, conforme o estudo da Sobeet. "Eles citaram mais especificamente a bitributação do lucro no Exterior e a cobrança de impostos sobre os resultados de variações cambiais", disse o economista.

 

No documento, os pesquisadores comentam que, ainda que suscetível às oscilações das condições da conjuntura internacional, a internacionalização de empresas brasileiras deverá ser um fenômeno de longo prazo. "De qualquer modo, dada a experiência internacional de outros países emergentes, este movimento de internacionalização está apenas se iniciando", concluíram os pesquisadores.

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