Crise não terminou e está nos países da Europa, diz Tombini

Para o presidente do Banco Central, País tem reservas robustas e contas públicas equilibradas

Beatriz Bulla, Bianca Ribeiro, Francisco Carlos de Assis e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

19 de junho de 2012 | 12h58

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que a crise internacional não está relacionada com a boa gestão da economia no País. "A crise não terminou e concentra foco nos países da Europa. Essa crise não é do Brasil", disse, ao participar de evento em São Paulo.

"O País tem reservas robustas e contas públicas equilibradas. O superávit primário permite redução da dívida pública", comentou.

Tombini ressaltou que o Brasil voltará a crescer no curto prazo, a ponto de o Produto Interno Bruto (PIB) registrar uma expansão de 4% no último trimestre deste ano ante os mesmos três meses de 2011.

Segundo ele, o PIB estará em velocidade de gradual aceleração no médio prazo, pois estima que o País registrará um crescimento pouco superior a 4,5% no primeiro semestre de 2013 ante o mesmo período de 2012. "O País vai crescer nos próximos trimestres, baseado sobretudo na criação de emprego, expansão de renda e do crédito", comentou.

Juro em patamar baixo exigirá atenção

O presidente do BC afirmou que a trajetória de recuo da taxa Selic deverá ter impacto importante no modelo de atuação do mercado de capitais e, com isso, exigirá "atenção redobrada" do gerenciamento de riscos desse mercado. "O BC está atento a esse processo", disse o presidente do BC.

De acordo com o dirigente, com o custo do dinheiro mais baixo, já é possível observar uma mudança na estrutura das curvas de juros de médio e longo prazo. Na avaliação de Tombini, se isso por um lado "amplia os horizontes", com maior participação do sistema bancário no financiamento da economia do País, por outro lado, também será necessário maior atenção em riscos que serão tomados pelo setor financeiro na busca por rentabilidade.

Tombini afirmou que a instituição tem credibilidade e é respeitada internacionalmente, depois de um trabalho de diferentes atores. "A credibilidade do Banco Central é resultado de ações tomadas por diferentes atores nas últimas décadas", disse, em evento em São Paulo.

Ao fazer breve retrospectiva histórica, Tombini disse que, depois de várias tentativas frustradas, o Plano Real permitiu "debelar a hiperinflação e reintroduzir no Brasil uma moeda com todas as suas funções". Tombini mencionou também o regime de metas de inflação e o câmbio flutuante como fatores que propiciaram estabilidade macroeconômica, possibilitando que o País avançasse em outras frentes.

Tudo o que sabemos sobre:
Tombini

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.