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Crise nas montadoras abre mais espaço para ?sócios? brasileiros

Fábricas nacionais da Mitsubishi e da Hyundai ganham maior atenção das matrizes

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Em meio à crise que afeta as matrizes das grandes montadoras e fabricantes de autopeças e que acaba respingando nas filiais brasileiras, grupos com capital 100% nacional estão atraindo projetos. Com a necessidade de cortar custos, multinacionais cancelaram projetos de fábricas próprias no Brasil e começaram a liberar produtos para grupos independentes, que se responsabilizam pelo investimento e podem ser bases exportadoras para a região.A Mitsubishi, do brasileiro Eduardo Souza Ramos, vai anunciar em até três meses a produção de novos veículos na fábrica de Catalão (GO), num projeto que deve consumir US$ 200 milhões. A Hyundai/Caoa, de Carlos Alberto de Oliveira Andrade, inicia ainda este ano a produção do utilitário-esportivo Tucson em Anápolis (GO) e se prepara para entrar no segmento de automóveis.A viabilidade da fábrica da Mitsubishi em Goiás chegou a correr risco com a decisão da matriz de não mais liberar licenças de produção de veículos. "Desde 2007 negociávamos, mas o Japão resistia, pois avaliava a possibilidade de produzir aqui", diz Souza Ramos.Outra alternativa era o Brasil voltar a ser apenas importador da marca e adquirir os veículos de países que operam com ociosidade. Diante da valorização do iene e do custo da infraestrutura para importação (frete, seguro, tributos), a montadora japonesa percebeu que era vantajosa a produção local."Pela primeira vez, nos deram autonomia para escolher os produtos que queríamos fazer aqui", diz Souza Ramos. Também pela primeira vez em 19 anos de parceria, a Mitsubishi abriu as portas do centro de desenvolvimento para que o empresário conhecesse projetos futuros da companhia, em fevereiro. "Antes, só trabalhávamos com produtos já em linha." A empresa brasileira avalia quatro novos modelos para produzir em Goiás. O primeiro será anunciado em até 90 dias, para início de produção no fim de 2010. O segundo será definido até o fim do ano. "Temos caixa para produzir dois ou três veículos; um quarto modelo ainda está em estudos", diz Souza Ramos. Pelo menos um modelo deve ser um carro de passeio.Outro ineditismo, segundo ele, foi a autorização para futuras exportações para a América do Sul. Hoje, vários países da região são abastecidos por fábricas asiáticas. Saindo do Brasil, o custo cai porque o País tem acordos com o Mercosul e o México, que isentam veículos de taxas de importação.A MMC Automotores, fundada por Souza Ramos, surgiu em 1990 como importadora. Depois, obteve licença para produzir veículos no País. Desde então, investiu cerca de R$ 600 milhões. É a única operação em que a Mitsubishi do Japão não participa diretamente. A empresa recebe royalties pela transferência de tecnologia e fornece componentes. Em 2008, vendeu 41 mil veículos no Brasil, 35% mais que em 2007.MAIS ATENÇÃONo mesmo sistema funciona a Hyundai/Caoa, outro grupo que teve origem na revenda de carros e tornou-se fabricante. A empresa monta o minicaminhão Hyundai HR e em agosto iniciará a produção do utilitário Tucson. No fim de 2010, deve entrar no segmento de automóveis.A Caoa também atua com investimentos próprios e adquire tecnologia e peças da Coreia. Com a suspensão, no início do ano, da construção de uma fábrica do grupo coreano em Piracicaba (SP), para um modelo compacto que consumiria investimento de US$ 600 milhões, os brasileiros voltaram a ganhar atenção da matriz."Estamos sentindo de novo uma aproximação forte com a Hyundai da Coreia", diz Andrade. Segundo ele, além de negociação de novos produtos, a empresa goiana pretende antecipar a nacionalização de componentes, um deles o motor do Tucson, que deverá ter versão flex.Para Andrade a produção de novos veículos e ampliação da capacidade produtiva necessitará de até R$ 500 milhões em investimentos.

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