Crise no Iraque traz risco na área de energia

Os dirigentes da Agência Internacional de Energia (AIE) repetiram diversas vezes na manhã de ontem, durante a apresentação do relatório sobre as perspectivas para o mercado de petróleo, que ainda é cedo para avaliar o efeito do agravamento da situação no Iraque. Apesar do esforço tranquilizador, o relatório deixa claro que o tom é de preocupação.

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2014 | 02h05

Ao comentar a perspectiva de aumento da produção no médio prazo, a AIE diz no relatório que espera que o Iraque contribua com 1,28 milhão de barris diários até 2019. "Uma previsão conservadora feita antes do lançamento na semana passada de uma campanha militar por insurgentes que avança para cidades-chave do Iraque", destaca o documento. Essa previsão, reconhece a agência, "enfrenta risco de queda considerável".

Uma das preocupações é que a escalada da violência interrompa novos projetos. "Dada a situação precária da política e segurança no país, a previsão é carregada de riscos negativos", diz a AIE. O cenário principal da entidade prevê que o Iraque responderá por 60% do aumento de produção previsto para os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no resto da década.

Projeções. A AIE aguardará os desdobramentos da crise no Iraque para eventual revisão das projeções sobre a produção de petróleo do país. "Ainda é um cenário muito incerto e vamos esperar as próximas semanas", disse Antoine Halff, diretor da indústria de petróleo e mercados, durante apresentação do relatório sobre as perspectivas de médio prazo do setor.

"Vamos revisar nossas previsões ao longo dos próximos meses. Temos alguns problemas de oferta na Líbia desde o verão passado e agora a situação no Iraque. A despeito do problema no Iraque, temos a perspectiva de aumento das exportações em outros países na região árabe", lembrou Halff, ao minimizar a preocupação de uma queda abrupta no fornecimento de petróleo no Oriente Médio.

A diretora executiva da AIE, Maria van der Hoeven, também adotou um tom tranquilizador. "As reservas disponíveis são razoáveis, confortáveis. Temos de esperar para ver o que acontece antes de qualquer preocupação com problemas na oferta."

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