Crise nos EUA ainda não chegou a Copacabana, diz Mantega

Ministro faz comentário em tom de brincadeira a representantes de instituiçõesde 65 países no Rio

Jacqueline Farid e Adriana Chiarini, da Agência estado,

07 de março de 2008 | 09h40

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira, 7, que a "crise do subprime" não chegou ainda à praia de Copacabana, como os senhores puderam conferir". O ministro fez a afirmação no evento do Institute of International Finance (IIF), no Rio, para representantes de instituições financeiras de 65 países que participam do evento, incluindo os principais executivos de grandes bancos de todo o mundo. Veja também:     PIB de 2007 teve crescimento entre 5,2% e 5,3%, diz Mantega Entenda a crise nos Estados Unidos   Fed aumenta linha de socorro a bancos para US$ 100 biEUA fecharam 63 mil vagas de trabalho em fevereiroLivro Bege confirma desaceleração nos EUATemor dos EUA derruba bolsas na Ásia; Europa opera em queda ESPECIAL: Preço do petróleo em altaEvolução do preço do dólar Bovespa cai forte e encerra abaixo de 63 mil pontos O evento acontece no hotel Copacabana Palace, de frente para o mar, o que inspirou Mantega a fazer a brincadeira. "Agora, diante dessa crise bastante séria que ocorre no centro da economia capitalista, não estamos sofrendo nenhuma pressão por causa da baixa vulnerabilidade externa", disse o ministro. "Subprime" é o mercado de crédito imobiliário de maior risco de inadimplência nos EUA, que por isso mesmo cobra taxas de juros mais elevadas dos tomadores.Ainda segundo Mantega, um dos sustentáculos da baixa vulnerabilidade externa do Brasil à crise de crédito nos EUA são as reservas internacionais e, neste ponto, ele se permitiu uma nova brincadeira, desta vez com o presidente do Citibank e presidente vice-presidente do IIF, William Rhodes. Conforme o ministro, "Rhodes deve se lembrar dos tempos difíceis para o Brasil quando era chefe do comitê de credores (do FMI). Hoje, esses tempos passaram e Rhodes deve estar preocupado em equacionar a dívida norte-americana". O presidente do Citibank, que estava sentado à mesma mesa que o ministro, não manifestou reação diante da declaração de Mantega.  Solidez econômica Mantega afirmou que o setor financeiro brasileiro está muito sólido. "Os lucros são testemunha", afirmou. Mesmo com a Selic mais baixa de todos os tempos, segundo o ministro, os bancos estão tendo ótimos resultados porque conseguem lucros no crédito. De acordo com ele, o imposto de renda sobre o lucro dos bancos em janeiro deste ano foi 140% maior do que em janeiro de 2007. "Isso indica que a rentabilidade foi excelente". Mantega fez uma brincadeira com o presidente do banco Itaú, Roberto Setubal: "viu, Roberto Setúbal, estou mencionando isto para ver se vêm mais bancos para o Brasil, para aumentar a concorrência". Durante a palestra, o ministro deu vários indicadores positivos sobre o País, entre os quais, o de que o Brasil começou o ano recebendo investimentos diretos, mesmo com a crise do subprime. Ele também citou, entre outros, a expansão do PIB por 23 trimestres consecutivos. Fundo soberano Mantega disse que o fundo soberano em estudo pelo governo "vai sair do papel quando estiver maduro e pronto". O ministro acrescentou, em seguida, que "com as turbulências, preferimos não dar nenhum passo adicional", na criação do fundo.

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