Crise nos EUA faz dólar acumular alta de 3,67% em março

Apesar da alta de quase 4% acumulada no mês, mercado não prevê reversão da tendência de queda

Silvio Cascione, da Reuters,

31 de março de 2008 | 16h38

O agravamento da crise global de crédito fez o dólar subir 3,67% em março, para R$ 1,753, mas no longo prazo o mercado ainda não vê uma reversão da tendência de queda provocada pela diferença entre os juros brasileiros e estrangeiros.  A pressão de baixa foi interrompida na metade do mês, quando a turbulência financeira derrubou um dos maiores bancos de investimento dos Estados Unidos e aumentou a certeza quanto a uma recessão na maior economia do mundo.  Mas a projeção de alta da taxa básica de juros, a Selic, em abril e a relativa normalização dos mercados após uma fase aguda da crise devem restaurar a movimentação de agentes interessados na elevada remuneração dos investimentos no Brasil - devolvendo a dinâmica de queda ao dólar.  "Deve ocorrer um reaquecimento das operações derivativas, que estão em ritmo bastante fraco neste momento", disse Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em relatório.  Entre 12 e 17 de março, no momento mais crítico da turbulência, os estrangeiros desfizeram a aposta na queda do dólar e montaram posições compradas no mercado futuro de câmbio. Esse, aliás, foi um dos motivos para a alta de 0,52% da moeda nesta sessão, segundo um operador.  "O mercado está mais comprado (em dólares). O pessoal está querendo uma Ptax alta mesmo", afirmou o agente, que preferiu não ser identificado.  Na última sessão do mês, os investidores tentam interferir com mais força na taxa de câmbio, já que ela forma a Ptax (taxa média ponderada do dólar) a ser usada na liquidação dos contratos futuros de dólar. "Mas a tendência a longo prazo é de queda mesmo", ressalvou o operador.  Nehme vê outro motivo para o enfraquecimento do real por três dias seguidos no final do mês. Segundo ele, o mercado tem registrado saída de recursos do país. Isso permite aos bancos se desfazerem dos dólares acumulados na primeira metade do mês, quando muitos investidores se anteciparam a novas regras cambiais e trouxeram quase US$ 10 bilhões para o País.  Ele lembrou que os bancos têm mais gastos para manter posições compradas físicas em um ambiente de juro elevado, "pois envolvem desembolso de reais para suportá-las, por isso é conveniente desmontá-las", disse.  De acordo com ele, ao desfazer essas posições, os bancos procuram alavancar o preço para vender a uma taxa mais favorável no mercado à vista.

Tudo o que sabemos sobre:
DólarCrise nos EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.