Crise nos EUA não afeta exportações do Brasil, diz Furlan

Uma eventual retração econômica nos Estados Unidos terá um efeito insignificante sobre as exportações brasileiras, na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. Para conter o risco de inflação, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) aumenta as taxas de juros, o que tem efeito na diminuição do consumo e das importações. ?Neste momento, os Estados Unidos são o terceiro mercado das exportações brasileiras, sendo o primeiro a União Européia, o segundo a América Latina. Representam 19% do total. Mesmo se houver uma crise nos Estados Unidos e as exportações para lá caírem 10%, o que seria uma estimativa exagerada e bastante improvável, isso representaria apenas uma diminuição das exportações em US$ 2,5 bilhões por ano?, disse Furlan.Em Lisboa, onde veio inaugurar o Centro de Distribuição de Produtos Brasileiros da Agência de Promoção de Exportações (APEX) para a Península Ibérica, o ministro afirmou que apesar da queda do dólar, o crescimento das exportações continuará. ?Mantemos as previsões feitas em janeiro de US$ 132 bilhões de exportações, o que representa um crescimento de 12% em relação ao ano passado. Para as importações, nós estimamos um crescimento mais vigoroso, provavelmente acima dos 20%, o que é bom para o país, que haja mais comércio?.Ele avaliou o impacto do câmbio nas exportações brasileiras. ?Nas últimas semanas vimos uma recuperação da taxa de câmbio, que subiu para 2,25 reais, cerca de 10% em relação aos 2,05 reais que foi o ponto mais baixo. Mesmo com a atual taxa de câmbio, as exportações vão continuar crescendo, embora com menos vigor do que nos primeiro três anos do governo Lula?.Expectativas Furlan não quis apresentar o que considera a taxa de câmbio ideal para o melhor desenvolvimento da economia. Optou por falar das expectativas de quem vende para o exterior. ?Os exportadores gostariam que fosse de 3 reais por dólar, a mesma relação de três para um que a Argentina tem hoje. Mas diante da realidade, eles baixam as expectativas.?Na próxima semana, o governo brasileiro deverá anunciar medidas de apoio aos exportadores, que tinham sido prometidas há cerca de um mês. ?Nós já fizemos as propostas, juntamente com o Guido Mantega (ministro da Fazenda) e o Meirelles (presidente do Banco Central), e provavelmente na minha volta ao Brasil deve haver novidades. Havia uma precaução de aguardar passar esse período de maior volatilidade dos mercados e aparentemente estamos entrando num período de menor turbulência. Não seria muito prudente adotar medidas no meio dessa volatilidade.? As medidas vão incluir financiamento aos setores exportadores e alargamento de prazos para as operações cambiais. Haverá também medidas para os setores que estão com maiores dificuldades, como o de transportes e o de calçados.Furlan também afirmou que o acordo automotivo com a Argentina está praticamente fechado e que na segunda-feira da próxima semana ele deverá estar em Buenos Aires para assinar o documento.

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