Crise nos EUA não altera investimentos, diz Petrobras

Mesmo sem afetar os planos, turbulência podem aumentar custos de produção, segundo José Gabrielli

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

18 de março de 2008 | 14h46

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, afirmou nesta terça-feira, 18, que a crise financeira nos Estados Unidos não afeta os planos de investimento da estatal, mas admitiu que os custos de produção podem subir. "Vamos ter que analisar. Nossa diretoria financeira terá que fazer um ajuste mais fino", comentou. Segundo ele, a companhia tem capital próprio para tocar seus projetos, mas terá que gerenciar melhor suas necessidades de financiamento. "É evidente que precisamos acompanhar com detalhes o que está acontecendo. Ela (a crise) pode afetar a liquidez do mercado." Gabrielli admitiu que se a crise nos Estados Unidos se estender por dois a três trimestres, poderá provocar impactos sobre a economia real. Ele avaliou que os recentes episódios, como a grave situação enfrentada pelo banco Bear Stearns, mostram que a crise é mais grave do que se pensava.  Petróleo Ele afirmou ainda que a recente disparada do preço do petróleo é reflexo da crise. Segundo Gabrielli, muitos investidores estão buscando no mercado de petróleo rentabilidades maiores que as oferecidas pelas taxas de juros norte-americanas. "Quem está com liquidez busca outros lugares para aplicar e está apostando no mercado de petróleo", afirmou. De acordo com ele, essa alta na cotação do barril no mercado internacional, que está na casa de US$ 107, não tem correlação com o atual nível de oferta e demanda da commodity. Por conta da crise financeira, que tem impacto no mercado norte-americano, principalmente sobre as ações do setor bancário, quem conseguiu retirar seus recursos está buscando outros mercados líquidos para investir. "É impossível prever para onde vai o preço do barril. A única coisa que dá para prever é que vai haver muita oscilação." O presidente da Petrobras afirmou que a empresa não vai reajustar os preços dos combustíveis no Brasil apenas por causa da instabilidade no cenário mundial. Ele ponderou que existem outras variáveis a serem levadas em consideração para efetivar um aumento nos preços.

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