Crise nos EUA pode afetar emergentes, diz BIS

Banco diz emergentes são mais vulneráveis do que se imagina.

Da BBC Brasil, BBC

30 de junho de 2008 | 13h12

Os países emergentes podem ser mais afetados por uma desaceleração econômica nos Estados Unidos e pela atual crise financeira do que muitos economistas têm previsto, segundo o relatório anual do Bank for International Settlements (BIS), considerado o banco central dos bancos centrais."Apesar de a previsão de crescimento para as economias de mercado emergentes (EMEs, na sigla em inglês) para 2008 continuar robusta, há riscos de que isso pode não continuar", diz o documento divulgado nesta segunda-feira.Graças a um crescimento rápido e prolongado, países emergentes como China, Índia e Brasil têm sido vistos como capazes de suportar ou até mesmo neutralizar o impacto da atual crise financeira.Mas o BIS afirma que os países emergentes podem ser mais vulneráveis do que se pensa e que a questão é "quanto" a desaceleração econômica dos Estados Unidos e a crise no sistema financeiro podem afetar essas economias. Entre os fatores que contribuem para essa vulnerabilidade está, segundo o banco, o fato de que os Estados Unidos continuam sendo um importante mercado para os países emergentes exportadores e, por isso, esses países podem ser "significativamente afetados" se a desaceleração econômica dos Estados Unidos se aprofundar. Além disso, a habilidade dos países emergentes em aumentar a demanda doméstica para compensar pela redução na exportação pode ser menor devido ao risco de uma inflação crescente, provocada pelos altos preços dos combustíveis e dos alimentos. ExportaçãoSegundo o BIS, a desaceleração da economia americana pode afetar os níveis de exportação dos países emergentes de várias formas.No caso da China, por exemplo, 20% dos produtos exportados têm como destino os Estados Unidos. Mas, além de reduzir a importação de produtos chineses pelos Estados Unidos, a desaceleração econômica americana pode reduzir a importação, pela China, de produtos intermediários usados na fabricação de mercadorias finais.Além disso, economias com grandes volumes de exportação em setores como tecnologia de informação também poderão sofrer com um menor consumo no mercado americano. E uma desaceleração mais profunda da economia americana, junto com um crescimento mais fraco em outras economias ricas, pode levar a uma redução nos preços de commodities, reduzindo o crescimento em países exportadores da América Latina, África e Oriente Médio. O relatório também afirma que, como os países emergentes também dependem do mercado importador da União Européia, qualquer deterioração na perspectiva de crescimento do bloco também pode ter um efeito adverso. O documento afirma que os países emergentes têm conseguido contrabalançar a queda nas exportações com um crescimento baseado no incremento da demanda doméstica.Mas ressalta que pode haver obstáculos a essa habilidade dos países emergentes de aumentar a demanda interna por causa do risco de inflação crescente, provocada pelos altos preços dos combustíveis e dos alimentos. Além disso, países com altos déficits e dívidas de curto prazo podem ter dificuldades para garantir financiamento. Isso poderia afetar, principalmente, países bálticos e do sudeste europeu.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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