Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Crise nos mercados pode afetar emergentes, dizem BCs

Xerifes das finanças internacionais realizam reunião bimestral na sede do Banco de Compensações Internacionais

Jamil Chade, do Estadão,

10 de setembro de 2007 | 11h21

Os principais bancos centrais do mundo alertam que uma eventual manutenção da turbulência financeira inevitavelmente afetará os mercados emergentes. Desde domingo, 9, os xerifes das finanças internacionais estão reunidos na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS, sigla em inglês) na Basiléia. Veja também: FED admite que crise pode chegar à economia real Enquanto os alertas são feitos pelas várias autoridades monetárias, agentes do mercado esperam que os bancos dêem uma sinal de confiança ao final da reunião, nesta segunda-feira, para tentar evitar um cenário de pânico. A percepção, por enquanto, é de que a crise no mercado de crédito de alto risco (subprime) não afetou a economia real e que, portanto, um aceno positivo por parte dos BCs pode ajudar a acalmar os mercados. O encontro no BIS ocorre a cada dois meses e é considerado como uma rotina já para os bancos centrais, além de uma possibilidade para que possam trocar informações. Mas o encontro deste fim de semana acabou se tornando relevante, já que se trata do primeiro desde que a turbulência começou a afetar as bolsas.  Um sinal da importância do evento é a participação do diretor do Federal Reserve Bank (o BC americano), Ben Bernanke, que percorria o trajeto entre seu hotel e o local de reuniões carregado de documentos e tentando fugir da imprensa internacional que o seguia. Os presidentes dos bancos da Europa, Ásia e da América Latina também estão presentes. O Brasil está sendo representado pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Os países emergentes aproveitaram o encontro e se reuniram separadamente para debater a situação dos mercados e trocar informações sobre como reagir aos eventuais choques. "Avaliamos cenários futuros", indicou um funcionário de um BC árabe. Para os BCs, está claro que a turbulência atual não é o que todos temem, mas sim que a situação saia de controle e um eventual pânico.  "Hoje, a crise é limitada e afeta por enquanto os mercados mais sofisticados. Por enquanto, vemos uma situação mais robusta nos mercados emergentes. Mas se a crise se aprofundar e continuar, o risco de contágio é evidente e inevitável, disse o presidente do Banco Central da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordoñez. "Mesmo para os países que se protegeram, ninguém pode garantir nada", afirmou. Até mesmo o presidente do BC chinês, Zhou Xiao Chuan, admite que uma crise prolongada terá impactos negativos. Segundo ele, por enquanto a turbulência não afetou sua economia. Mas admite que uma crise que gere uma desaceleração da economia americana será sentida na China. O presidente do Banco Central da Irlanda, John Hurley, também fez um alerta similar. Segundo ele, hoje a economia européia está sólida e dificilmente seria afetada por causa do subprime. Mas adverte que as incertezas sobre o futuro são cada vez maiores. Proteção Na avaliação do presidente do BC espanhol, o impacto nos mercados emergentes dependerá da profundidade da crise nos próximos meses. Segundo ele, a proteção contra a turbulência ocorre ainda graças ao momento positivo da economia mundial. De fato, é nisso que o mercado espera que os BCs tomem como base para dar suas mensagens. Para o analista-chefe da Moodys, Pierre Cailleteau, o que mais preocupa hoje é a ansiedade nos mercados e o risco de que um clima de pânico se instale. Em sua avaliação, cabe aos BCs restaurarem o clima de normalidade, antes que um cenário de pânico se instale. "Hoje, os mercados estão substituindo um cenário mais razoável para um cenário de desastre e de apocalipse. A economia está seguindo uma trajetória sólida e muito robusta e os BCs podem ajudar a restaurar esse cenário mais razoável, disse Cailleteau. Liquidez Outra atitude esperada pela agência de risco é de que os BCs ainda garantam a liquidez, injetando recursos. "O problema é que isso não pode ocorrer se a situação de turbulência se prolongar, seguida por um clima de pânico", avaliou. "O problema de liquidez pode ser administrado pelos BCs. Mas se há uma lógica de pânico, o trabalho ficará difícil para os bancos centrais", disse. "O que tememos é que estamos caminhando para um pânico generalizado, e não uma avaliação mais serena das coisas." Em sua avaliação, o mundo convive hoje com uma alta nos riscos dos créditos, causados pelo choque do subprime. "Vemos que, por conta disso, há uma trombose na liquidez no sistema. O problema não é da falta de liquidez, mas sim da fluidez dos recursos pelo sistema. Há uma desconfiança em relação aos ativos financeiros mais complexos e uma hesitação dos bancos", disse. "É preocupante o grau de ansiedade. Mas o pior é que o mercado está com dificuldades para voltar a considerar cenários mais razoáveis."  Acusações O executivo ainda se defende das alegações das autoridades americanas e européias de que as agências de risco teriam classificado de forma inadequada os riscos de alguns mecanismos financeiros, levando â crise. "O que me parece extraordinário é que fomos sempre acusados de conservadores. Hoje, a crítica é a inversa", disse Cailleteau.  Ele admite que "a forma de trabalhar das agências pode ser debatida". "Não temos o monopólio da sabedoria e nem somos populares quando visitamos um país e depois ouvimos que não entendemos nada ao classificar um mercado", completou.

Tudo o que sabemos sobre:
Aversão ao riscoBIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.