Alex Silva/Estadão
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Crise paralisa projetos de mineração e de cana de ex-presidente da Vale

Após deixar a Vale, em 2011, Roger Agnelli se uniu ao banco BTG e criou a B&A Mineração, mas queda no preço do cobre praticamente inviabiliza operação neste momento; projeto de cana, que empresário toca sozinho, não se mostrou economicamente viável

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2015 | 05h00

O empresário Roger Agnelli, que presidiu a Vale por dez anos e deixou a companhia em março de 2011, vai congelar seu projeto de exploração de cobre no Chile por alguns meses, até ter clareza sobre a recuperação dos preços da commodity no mercado internacional. Agnelli, que também fez carreira como executivo do Bradesco, tornou-se sócio do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, na companhia B&A, criada em julho de 2012 para explorar oportunidades no mercado de mineração no Brasil, na América Latina e na África.

Em três anos e meio, Agnelli mapeou diversas oportunidades de negócios em vários países, mas só levou adiante dois projetos com a B&A: investimento na área de fertilizantes no Pará e de exploração de cobre, no Chile, maior produtor e exportador da commodity. Ele só não contava com a queda vertiginosa dos preços da commodity no mercado internacional. O cobre, cotado a US$ 4,6 mil a tonelada, atingiu neste ano sua mais baixa cotação desde a crise global de 2008.

Em entrevista ao Estado, Agnelli, que fundou no início de 2012 a holding AGN, que atua em mineração e fertilizantes, por meio da B&A, e também em bioenergia, mas sozinho, disse que segue otimista em relação ao mercado de mineração. Neste momento, contudo, está revisando o projeto do Chile, onde a B&A adquiriu uma mina para explorar o cobre. Neste projeto, o aporte foi entre US$ 80 milhões e US$ 90 milhões. “O projeto é bom e de baixo custo, mas nenhum é viável com esse atual preço”, disse.

O foco de Agnelli está concentrado no projeto de fertilizantes no Pará, em Bonito (a 150 km de Belém), onde foram investidos entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões na produção de fertilizante à base de fosfato. A fábrica, inaugurada em fevereiro, começou aos poucos a produção no mês passado e tem capacidade para 150 mil toneladas por ano. O Brasil produz cerca de 9,5 milhões de toneladas por ano e é altamente dependente de importação do insumo.

Divergências. O Estado apurou que Agnelli estaria enfrentando problemas com seu sócio BTG, uma vez que o banco não está participando do dia a dia do negócio e não estaria disposto a fazer mais aportes nos projetos. Agnelli nega veementemente problemas com seu sócio e diz que o momento do setor está complicado, mas que em até seis meses haverá maior clareza dos rumos desse mercado. Procurado, o BTG não comenta o assunto.

Outra aposta de Agnelli é em cana, que toca sozinho. A AGN Bioenergia tem investido em plantio de cana mais produtiva para ser vendida às usinas para produção exclusiva de etanol e de bagaço para cogeração de energia, mas que ainda não é viável comercialmente.

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