Crise pode afetar atuação das construtoras no exterior

A crise provocada pela operação Lava Jato pode afetar as grandes empreiteiras também além das fronteiras brasileiras. Entre as 10 construtoras citadas no escândalo de corrupção na Petrobrás, quatro têm grandes obras no exterior, numa carteira de serviços que ajuda a alimentar as exportações, mas pode minguar com a repercussão das investigações.

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2014 | 02h04

Executivos do setor já demonstram preocupação com os riscos de os financiamentos internacionais recuarem ou ficarem com juros mais altos, o que limitaria a competitividade das empresas.

O risco estaria mais ligado à Petrobrás do que ao envolvimento das empreiteiras com casos de corrupção. "Não deve ser afetada a obtenção de obras, mas vai ficar - e já começa a acontecer - mais caro o custo do dinheiro que as empresas tomam lá fora", afirma o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Conforme adiantou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a Petrobrás tem uma dívida de R$ 30 bilhões apenas com bancos brasileiros. "Não há risco do governo permitir que a Petrobrás entre em default, mas lá fora ninguém sabe o risco real", diz Barbosa.

Fundos e bancos internacionais já procuraram consultores brasileiros para avaliar o risco da combinação da dívida da Petrobrás com o impacto das investigações. O custo dos empréstimos no exterior já teria subido 1,5 ponto porcentual.

Nos últimos dias, executivos de algumas empresas conversaram com o governo sobre o risco da operação para suas imagens no exterior e as consequências econômicas da operação. No Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a estratégia adotada - e aconselhada às empresas - é mostrar o Brasil como um país estável, onde os problemas são investigados e resolvidos.

Nos últimos dez anos, as empreiteiras brasileiras viram crescer as oportunidades de licitações internacionais, embaladas por financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Desde 2006, Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez abocanharam pelo menos 119 contratos em nove países africanos e latino-americanos, isso apenas considerando aqueles que tiveram algum financiamento do BNDES.

Todas estão envolvidas com a Petrobrás e sob investigação. Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e OAS tiveram executivos presos. Na Odebrecht, houve busca e apreensão de documentos. Até agora, apenas a Andrade Gutierrez não aparece como diretamente envolvida. No entanto, em seu depoimento, o doleiro Alberto Youssef afirmou que o lobista conhecido como Fernando Baiano seria o negociador no esquema com a empresa.

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