Crise pode favorecer acordo na OMC, diz negociador indiano

Para ministro, saída para crise é maior abertura; Blair fala em pressão política por acordo.

Rogerio Wassermann, BBC

23 de janeiro de 2008 | 16h40

As atuais turbulências na economia mundial podem pressionar os países ricos a ceder mais para permitir um acordo por uma maior abertura comercial global, na avaliação do ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Kamal Nath, um dos negociadores da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC)."Sinto que existe um desejo maior por um acordo, principalmente por conta do atual momento", disse Nath à BBC Brasil, durante o Fórum Econômico Mundial, aberto nesta quarta-feira em Davos, na Suíça.O ministro indiano participa das negociações da Rodada Doha como um dos representantes dos países em desenvolvimento, ao lado do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que é um dos co-presidentes do Fórum Econômico Mundial neste ano, reforçou a avaliação de Nath e disse que, em um momento de dificuldade econômica, deve haver uma pressão política maior contra o protecionismo e a favor da abertura comercial.ImpasseEm um pronunciamento na abertura do encontro em Davos, Blair disse esperar que a reunião dos principais negociadores da Rodada Doha em uma mesa de discussões do fórum prevista para sábado "ajude na tentativa de relançamento das negociações sobre comércio mundial, que estão atualmente emperradas".Além de Nath e Amorim, participam da sessão no sábado o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, a secretária de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, e o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy.As negociações da Rodada Doha, que se arrastam desde 2001, estão em um impasse, principalmente por conta das diferenças de posições entre os países em desenvolvimento, que pedem uma redução nos subsídios agrícolas dos países ricos e uma abertura dos mercados para os seus produtos agrícolas, e a exigência dos países desenvolvidos de uma abertura a seus produtos industriais e serviços.Vários prazos estabelecidos para a conclusão das negociações já foram perdidos. Além disso, acredita-se que há poucas chances de os Estados Unidos cederem em um momento em que se preparam para eleger um novo presidente, em novembro.Protecionismo x aberturaEm uma entrevista coletiva após falar à BBC Brasil, Nath reconheceu que a primeira reação dos países desenvolvidos à crise poderia ser a de aumentar o grau de protecionismo, mas defendeu que a saída para a crise passa por uma maior abertura comercial."Para vencer a desaceleração da economia global, a melhor solução é estar mais aberto à economia global", disse o ministro indiano."Só por causa do crescimento da globalização tivemos esse grande crescimento econômico nos últimos dez anos", afirmou. "Nesse período, vimos o máximo de globalização e o máximo de crescimento (mundial). Então, temos evidências que apóiam essa idéia."O ministro indiano disse esperar que, apesar da informalidade do encontro do sábado, que não prevê nenhum tipo de negociação, ele possa levar a algum entendimento que ajude a destravar a Rodada Doha."Nos últimos sete anos, vínhamos dizendo que esperávamos que até a reunião do ano seguinte haveria um acordo fechado", disse Nath. "Espero que, no próximo ano, não tenhamos que falar mais isso."O ministro Celso Amorim, que recentemente também disse ainda acreditar na possibilidade de um acordo apesar dos impasses, deve aproveitar sua presença em Davos para se reunir em separado com Mandelson, Schwab e Lamy.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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