Crise pode levar investidor a optar por países emergentes

O acirramento da crise no sistema financeiro dos Estados Unidos pode provocar uma primeira reação de saída de recursos de países emergentes. Mas, num segundo momento, o investidor vai partir para a diferenciação entre os países, direcionando recursos para aqueles que têm posição mais sólida. A avaliação é do estrategista para mercados emergentes do Threadneedle Asset Management, Henry Stipp.Nos últimos dias, os problemas que começaram com a crise do mercado de hipotecas nos Estados Unidos ganharam contornos mais graves. A deterioração do cenário abateu o fundo Carlyle Capital e, na seqüência, o banco de investimentos Bear Stearns. Para especialistas, o setor financeiro americano vai passar por uma consolidação, e há temores de que outras instituições corram risco de colapso. Ontem os rumores atingiram o mercado inglês e fizeram o HBOS, maior provedor de hipotecas do Reino Unido, vir a público para negar a existência de dificuldades. ?A pergunta seguinte será: quem vai ter condições de comprar o próximo banco??, afirmou Stipp.Diante da piora do quadro, especialistas começam a apontar que os emergentes podem sofrer saída de recursos. ?Num primeiro momento, todo mundo sofre?, disse o estrategista. ?Mas depois esse dinheiro tem de voltar, e os investidores procurarão lugares onde se sentem mais seguros, já que hoje não encontram tranqüilidade nos Estados Unidos ou na Europa.? Stipp lembra que os emergentes enfrentarão a crise atual em situação bem diferente da ocorrida no passado. A maior parte desses países não precisa de dinheiro para financiamento de dívidas - o Brasil, inclusive, hoje é credor externo líquido. Além disso, a existência de reservas externas, superávits comerciais e crescimento econômico eleva o conforto. ?É claro que os emergentes não estão isolados da crise, mas os fundamentos estão bons.?Na lista dos países com melhor posição atualmente, ele cita a Rússia (com reservas de US$ 500 bilhões, destaca) e vários da América Latina, como Brasil, Chile, Peru e México. Esse último, avalia, segue com fundamentos positivos mesmo diante da dependência americana. ?A Bolsa do México está quase zerada neste ano, não caiu muito, e o ajuste da economia será feito pelo desaperto monetário. A América Latina está muito bem.?

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