Crise pode mudar política fiscal em 2012, diz Arno

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, indicou ontem que o governo pode mudar a linha de condução da política fiscal em 2012 para evitar uma desaceleração intensa do ritmo de crescimento econômico em função do cenário de crise mundial. Segundo ele, "o efeito final da ação governamental e da crise internacional são algo sempre em processo".

AE, Agencia Estado

20 de outubro de 2011 | 10h03

Augustin disse que o governo está preocupado em tomar medidas que permitam um crescimento equilibrado. "Então, se trata de estar permanentemente atento e agindo", afirmou. Ele destacou que a equipe econômica optou em 2011 por adotar uma política fiscal mais rígida para permitir que o Banco Central pudesse reduzir a taxa básica de juros.

Por conta disso, o governo ampliou em R$ 10 bilhões a economia que fará este ano por meio do superávit primário, reserva usada para o pagamento de juros da dívida pública. "Para 2012, vamos avaliar. É muito cedo", disse. "A política fiscal prevista para 2012 é o cumprimento do (superávit) primário cheio", disse referindo-se aos dados previstos no projeto de lei orçamentária para o próximo ano, encaminhado ao Congresso.

No passado, para minimizar os efeitos da crise mundial de 2008 na economia brasileira, o governo adotou uma política expansionista para permitir o aumento do crédito e do consumo interno e, por consequência, da economia.

Augustin não quis comentar a avaliação do Banco Central, que apontou uma desaceleração da economia maior do que era previsto. O BC projeta uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% em 2011. O Ministério da Fazenda já anunciou que reduzirá a sua estimativa oficial para este ano de 4,5% para algo entre 3,5% a 4%.

"Quando se fala de perspectiva de crescimento, em geral, eu não acho mais relevante quem acerta mais ou menos a projeção. Mas é no sentido de as ações estarem corretas. Esta é a preocupação principal", declarou. O secretário disse que, com o mundo em crise, o governo tem que se preocupar com o crescimento econômico, mas afirmou que o Brasil tem condições de enfrentar bem a crise. "Mas é claro que a gente vai sofrer. Esta é uma preocupação grande", afirmou.

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