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Crise põe em risco projeto de ponta da Embraer

Indefinição do governo atrapalha desenvolvimento de cargueiro

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

22 de fevereiro de 2009 | 00h00

Não há momento bom para crise, mas este, que determinou as 4.200 demissões de funcionários feitas pela Embraer, não poderia ser pior para a empresa. A Embraer está batalhando parcerias internacionais para o desenvolvimento de um projeto militar ambicioso, o cargueiro e avião tanque C-390. O valor estimado da fase inicial do programa fica entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões. O presidente da companhia, Frederico Curado, tinha a expectativa de anunciar os acordos ao longo do ano. Na sexta-feira, em São José dos Campos, um executivo ligado à vice-presidência para o mercado de defesa disse ao Estado que "a vida ficaria um pouco mais fácil" se o Comando da Aeronáutica confirmasse suas encomendas desse jato, "já anunciadas, mas não formalizadas".Esse pacote é coisa de 22 unidades iniciais, ao custo de US$ 1,3 bilhão. A aviação militar precisa reforçar a frota de transporte rápido para atender ao conceito do Plano Estratégico de Defesa, apresentado em dezembro de 2008, que pretende ter Forças Armadas com grande poder de deslocamento. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, revelou a expectativa de receber os aviões a partir de 2015. O C-390 voa a 850 km/hora e leva 19 toneladas de carga útil. Abriga 64 pára-quedistas equipados para combate ou 84 soldados de infantaria convencional, além de um arranjo para a retirada de feridos ou doentes em zonas de alto risco.Um pedido firme da aeronáutica ajudaria a ofensiva comercial da companhia no segmento da nova geração de transportadores médios, um mercado que envolve 700 aeronaves em 77 países e não menos de US$ 13 bilhões em novos negócios.O relacionamento da Embraer - uma ex-estatal, privatizada em 1995 - com o governo se dá por meio da participação acionária do fundo Previ, que detém 14% das ações da empresa e do BNDESPar, que detém outros 5%. O governo federal pode usar sua ação especial, a golden share, em caso de interesse da segurança nacional. Os programas contratados junto ao Ministério da Defesa abrangem a revitalização de 57 a 59 supersônicos F-5E, americanos, fabricados nos anos 70 e 80, a atualização tecnológica de 53 bombardeiros leves subsônicos AMX e a construção de 100 Super Tucanos, turboélices de ataque ao solo e treinamento. Os três empreendimentos são executados na fábrica de Gavião Peixoto, a 300 km de São Paulo e implicam encomendas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.Outro complicador: a empresa será a receptora da tecnologia transferida por meio da escolha F-X2 para a compra dos novos caças avançados da FAB, mas adotou posição de neutralidade em relação aos três modelos finalistas - o americano F-18 Super Hornet E/F, da Boeing Company, o francês Rafale C, da Dassault Aviation, e o sueco Gripen NG, da Saab.

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