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Crise política entra no radar do investidor estrangeiro

A crise política no Brasil entrou definitivamente no radar do investidor estrangeiro. Após ignorá-la até o início desta semana, ele acompanha agora com atenção o noticiário sobre o País. Pelo menos por enquanto, ela não é vista como um fator que terá um efeito negativo sobre a manutenção da política macroeconômica brasileira, limitando assim seu impacto de curto prazo sobre os preços dos ativos do país.No entanto, cresce entre os analistas de bancos e fundos a avaliação de que a eleição presidencial poderá ir a um segundo turno. Mais importante, aumenta o temor de que a governabilidade de um eventual segundo mandato do presidente Lula - considerado ainda pelos mercados o franco favorito para vencer o pleito - está sendo ainda mais comprometida, reduzindo ainda mais o espaço para reformas consideradas fundamentais para que o País cresça mais nos próximos anos."Esse último escândalo não deverá ter um impacto no resultado final da eleição, ou seja, Lula ainda é favorito para vencer", disse à Agência Estado Nuno Camara, economista sênior do banco Dresdner Kleinwort. Mas, ele ressalta, as implicações vão além das eleições de outubro. "O que é provável que aconteça é que a eleição possa, no final, ir a um segundo turno, o que por sua vez significa que Lula não será reeleito com uma enorme maioria", disse. "Lula poderá ir para seu segundo mandato muito mais fraco do que era previamente antecipado e, ainda mais importante, esse recente escândalo enfureceu a oposição, o que torna improvável que ela vá colaborar com o governo nos próximos quatro anos." Segundo Camara, dependendo dos futuros índices de aprovação popular do presidente Lula, a oposição "poderá usar a ameaça de impeachment" contra ele até 2010. "Por isso, o barulho político deverá continuar elevado nos próximos anos", disse. "A cada dia que passa, a perspectiva de reformas se torna cada vez mais limitada."Alberto Ramos, analista do banco Goldman Sachs, disse que a atual crise, embora ainda confusa, poderá alterar "a tendência da corrida presidencial", aumentando as chances de um segundo turno entre Lula e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Ele observa que o debate entre os candidatos presidenciais marcado para o dia 28 poderá ser decisivo. "Ainda é improvável que Lula participe do debate, mas o uso político desses novos acontecimentos durante o evento sem a presença do presidente poderia ser suficientemente negativo para levar as eleições a um segundo turno", disse Ramos. "Além disso, as águas políticas estão se tornando mais lamacentas e o diálogo mais amargo, o que poderia afetar a governabilidade num potencial segundo mandato de Lula." Flavia Cattan-Naslausky, analista do Royal Bank of Scotland, alertou que embora Lula continue favorito, os eventos de hoje até o dia 1º de outubro devem ser monitorados atentamente pelos investidores, pois o resultado da eleição poderá ser muito mais apertado do que o era previsto. "Continuamos achando que os riscos políticos no Brasil estão concentrados no período pós-eleição e mesmo então, esses riscos não deverão ter um impacto nos mercados até o próximo ano quando as intenções políticas se tornarem mais claras.", disse a analista. "Podemos esperar que esse recente escândalo irá afastar ainda mais o PSDB de qualquer coalizão partidária, enfraquecendo ainda mais a perspectiva de uma agenda de reformas que precisa de algum apoio do PSDB."

Agencia Estado,

21 de setembro de 2006 | 19h42

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