Crise política faz o preço do cacau subir

O mercado de cacau reagiu de forma dramática à suspensão, por um mês, das exportações da amêndoa na Costa do Marfim, ordenada pelo presidente eleito Alassane Ouattara. Na Bolsa de Nova York, o contrato para entrega em março disparou 4,02%, para US$ 3.312 por tonelada, maior valor em um ano.

Ana Conceição, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

Os preços acumulam alta de 10% em uma semana por causa do conflito político no maior produtor mundial da commodity. Laurent Gbagbo, que governou o país por dez anos, perdeu as eleições no final de 2010, mas se recusa a deixar o poder. A intenção de Ouattara é interromper o fluxo de dinheiro para os cofres do governo e, assim, forçar Gbagbo a renunciar.

Pelo menos um grande comprador do cacau marfinense, a americana Cargill, interromperá as aquisições da amêndoa. "A reação inicial foi de pânico", disse Luis Rangel, vice-presidente da ICAP Futures, à Dow Jones. "Ainda não está claro como as coisas vão funcionar."

Outra cotação a disparar ontem foi a do algodão. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em março subiu 3,2%, para 161,94 centavos de dólar por libra-peso, maior preço da história desse mercado.

O valor da fibra mais que dobrou nos últimos 12 meses por causa da queda na oferta mundial em um momento de forte demanda. Esse cenário atraiu compras de especuladores, o que contribuiu para intensificar a alta das cotações.

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