Crise política leva analistas a sugerir cautela nas carteiras

Eventual saída de Temer torna investimento no exterior ou na boa e velha renda fixa ainda mais atraentes

Jéssica Alves, Nathalia Larghi e Ricardo Rosseto, O Estado de São Paulo

10 Julho 2017 | 05h00

Na semana passada, voltaram a ganhar força as notícias sobre uma eventual queda do presidente Michel Temer, tendo como substituto Rodrigo Maia, que preside a Câmara dos Deputados. Uma mudança que, segundo os economistas das principais corretoras de valores, pode até ter sido absorvida pelo mercado financeiro, mas que pede cautela do investidor. 

Com ou sem Temer, a recomendação é reforçar a carteira com opções de renda fixa ou, no caso de um apetite por risco, aplicar em fundos que tenham em sua composição ativos do exterior, justamente para fugir da imprevisibilidade na economia local.

Na opinião de Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, uma eventual ascensão de Rodrigo Maia poderia aliviar as incertezas. No entanto, ele ressalva que o “céu de brigadeiro” que se vislumbrava antes das delações da JBS só deve voltar a aparecer em 2018, com o resultado das eleições para presidente. Diante disso, o professor recomenda aplicações mais conservadoras, em CDBs e títulos do Tesouro Direto. 

Para quem já está no mercado e busca diversificar sua carteira, Viriato aconselha os investimentos no exterior, como fundos multimercado, ETFs que replicam índices estrangeiros, como o S&P 500, e ações de empresas de outros países. 

Mercado internacional. William Eid, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), também aconselha o investidor a explorar mais o mercado internacional. Para o especialista, uma boa opção para quem tem mais de R$ 50 mil, por exemplo, são empresas brasileiras no exterior, que dão retornos de até 6% em dólar ou em euro. 

Para os mais conservadores, Eid afirma que “a renda fixa é imbatível”. O analista entende que durante um eventual mandato tampão, um novo presidente pode não conseguir dar andamento à agenda de reformas econômicas – o que deve contribuir para a redução do ritmo da queda da taxa básica de juros, a Selic. Quando os juros se mantêm altos, os rendimentos atrelados à renda fixa continuam atrativos. 

Para Sandra Blanco, economista da corretora Órama, ainda é difícil tecer um prognóstico sobre o cenário político, mas é certo que uma troca na presidência não mudaria muito o cenário econômico para investidores. Deixar tudo na renda fixa, no entanto, pode limitar os resultados. Ela aconselha colocar uma parte em fundos multimercado e de ações – opções que, após o episódio da delação da JBS, dos irmãos Batista, ajustaram suas estratégias e estão menos expostas a riscos. 

Sandra também pondera que os investidores não vão conseguir colher os bons frutos esperados no primeiro semestre de uma forma tão rápida como se esperava. “Com todo esse cenário político, o resultado foi postergado, mas uma hora vai acontecer”, afirma 

A corretora Guide Investimentos tem orientado seus clientes a diminuir posições que ficam mais voláteis devido à crise política, como é o caso dos juros com vencimento de prazos longos. 

Segundo Luis Gustavo Pereira, estrategista da casa, os investidores locais têm sido cautelosos, preferindo investimentos mais seguros. “Mas, recomendamos que haja diversificação, com alocação em ações de empresas europeias e em derivativos.”

Roberto Indech, analista-chefe da Rico, afirma que ainda é cedo para a corretora mudar suas recomendações. Ele analisa que o perfil do investidor brasileiro, seja qual for o cenário, tende a ser mais conservador. “Mesmo com a taxa de juros caindo a 8,5%, não acredito que haja uma migração grande de investimento para renda variável.”

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