Crise política poderá adiar início da construção de Angra 3

O início de construção da usina de Angra 3 pode ser adiado devido à atual turbulência política. A possibilidade, citada dentro de um cenário pessimista, foi levantada hoje pelo presidente da Eletronuclear, Paulo Figueiredo. Segundo ele, a empresa enviou estudo ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) informando que a usina levará 66 meses para ser construída, assim que for dado o aval pelo governo. Porém, dadas as atuais circunstâncias políticas, o CNPE não encaminhou ainda o pedido de avaliação para a construção da usina ao presidente. "Com esse rebuliço todo, agora é esperar", afirmou o executivo.Após realizar palestra para empresários, promovida pela Câmara Americana de Comércio, Figueiredo foi questionado sobre quando esse encaminhamento pode ocorrer. O executivo comentou que, em um cenário otimista, "bem positivo mesmo", isso poderia ser encaminhado em dois meses. "Mas em um quadro pessimista, isso ficaria para o próximo ano", disse.Figueiredo rebateu ainda as notícias de que a ex-ministra das Minas e Energia e atual ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, seria contra à construção da usina. "Isso não é verdade. Ela era contrária à oportunidade de reiniciar as obras da usina esse ano", afirmou, explicando que o ministério trabalhava com um horizonte mais amplo para a construção de Angra 3, visto que tem uma visão mais abrangente, que engloba não só energia nuclear, como também outras fontes de energia.Ao ser indagado se o atual ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, poderia ser contrário a construção da usina, o executivo considerou que o Rondeau é um grande conhecedor do setor de energia.FinanciamentoA Eletronuclear pode recorrer a financiamentos externos para a construção de Angra 3. De acordo com Figueiredo, já foram investidos no empreendimento cerca de 600 milhões de euros, restando ainda algo em torno de 1,8 bilhão de euros."A princípio, pensamos que esses recursos pudessem ser financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), pela Eletrobras e outra parte em financiamento externo", disse. Mas informou que a empresa tem realizado entendimentos com bancos e organismos internacionais dispostos a financiar por completo a usina. De acordo com ele, esses organismos podem financiar a usina em troca de compra de energia ou, até mesmo, de urânio.

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