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André Dusek/Estadão
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Crise política põe em xeque profundidade do ajuste fiscal

Em evento promovido pela FGV, especialistas consideram que impactos da crise política do governo Dilma Rousseff na condução econômica afetam o ajuste implementado para recuperar a credibilidade do País

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 17h23

A crise política pela qual passa o governo da presidente Dilma Rousseff tem trazido impactos para a condução econômica (e vice-versa) e põe em xeque a profundidade do ajuste fiscal implantado para recuperar a credibilidade do País junto a investidores, empresários e consumidores. Com diferentes graus de otimismo, essa conclusão foi praticamente unânime entre professores, jornalistas e economistas durante o debate "A economia e a conjuntura política no 2º mandato de Dilma Rousseff", promovido nesta quinta-feira pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Um dos debatedores, o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Luís Eduardo Assis, avaliou que, embora extremamente necessário, um ajuste fiscal de qualidade "está fora de questão" diante da crise política vivenciada pelo governo Dilma e por conta do próprio atraso em promover essas mudanças. "Seria mais indolor se tivesse feito a dois, três, quatro anos atrás. Mas antes tarde do que nunca", afirmou. Para o economista, o governo vai ter de fazer o ajuste "na medida do possível". "Agora resta (ao governo) apagar incêndio com água suja", disse.

De acordo com Assis, nessa "água suja" estão a aprovação de medidas como a recriação da CPMF e o contingenciamento de despesas, o que, do seu ponto de vista, é "absolutamente tudo que os partidos de coalizão não precisam, nem querem". Diante desse cenário, o ex-diretor do BC avaliou que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é a pessoa certa, mas na hora e lugar errados. Por ser um "estranho no ninho", na sua avaliação, o ministro enfrenta e vai enfrentar cada vez mais oposição dentro do governo. "Ninguém dentro do governo gosta de ajuste fiscal", argumentou.


O colunista e repórter especial do Broadcast Fábio Alves destacou que, ao afetar diretamente a condução da economia, essa crise política também tem pesado na tomada de decisão de investidores. Um exemplo é a variação do dólar, que passou de R$ 2,55 em 22 de janeiro, para acima de R$ 3,10 nas últimas semanas, não só pela pressão internacional, mas também como reflexo dos problemas domésticos. Para o jornalista, toda essa crise "turva a visão" do que acontecerá com a política econômica brasileira. "Não dá para dizer que vai melhorar. O DNA da presidente acaba falando mais alto", disse Alves, autor do livro "Inflação, Juros e Crescimento no Governo Dilma", publicado pela editora Altabooks.

O professor da FGV Gustavo Fernandes, por sua vez, avaliou que a crise política e econômica pela qual o Brasil passa é reflexo do esgotamento do "experimento desenvolvimentista" que o governo Dilma iniciou e do próprio sistema político, "que ainda não se desenvolveu a contento". "Sabemos que esse novo experimento sustentou o emprego, só que as pessoas não veem no horizonte oportunidades melhores, não veem uma trajetória de ascensão no curto prazo", afirmou. Ele destacou que o Brasil vive um momento de transição importante, mas que deverá ser lento, "porque somos um País complexo".

Apesar de considerar a presidente Dilma como o ex-presidente Ernesto "Geisel de saias", o economista e professor da FGV Marcos Fernandes Gonçalves da Silva se mostrou mais otimista com as perspectivas para o País. De acordo com ele, o otimismo é sustentado nas mudanças positivas pelas quais o Brasil passou nos últimos anos, entre elas, a consolidação da classe média e das políticas sociais e o aumento do nível educacional das pessoas. "Foram políticas bem feitas e populares, não populistas", disse.

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