Crise prejudica e criação de emprego formal cresce só 0,2%

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram desaceleração na geração de novos postos em outubro

Gerusa Marques, da Agência Estado,

20 de novembro de 2008 | 11h56

A crise financeira mundial atingiu os dados de geração do emprego formal no Brasil. Os números, que vinham registrando recordes todos os meses, mostraram uma alta de apenas 0,2% nas vagas com carteira assinada em outubro ante setembro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 20, pelo Ministério do Trabalho. No mês passado, foram criadas 61,4 mil vagas sobre os 30.052.760 postos já existentes, totalizando 31.114.161 empregos formais no País. O número representa uma grande redução se comparado aos dados de outubro de 2007, quando surgiram 205.260 mil postos.     Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    Apesar da grande redução no saldo no último mês, o número de postos criados entre janeiro e outubro, que faz parte do Cadastro Geral de empregados e Desempregados (Caged), bateu novo recorde histórico, acumulado 2,14 milhões de novas vagas. Nos últimos doze meses, o saldo de novos postos de trabalho é de 1,95 milhão.   Na quarta-feira, o ministro Carlos Lupi já havia adiantado que a geração de emprego formal desaceleraria em outubro, em razão da crise. Nesta quinta, porém, ele reafirmou sua previsão de fechar 2008 com a criação de 2 milhões de novos postos com carteira assinada.   O ministro explicou que, em outubro, é natural que haja uma queda no ritmo de novos empregos por causa da sazonalidade agrícola. Ele atribuiu a queda também à preocupação dos empresários com a turbulência nos mercados mundiais. Segundo ele, os empresários ficaram receosos de contratar novos funcionários.   Lupi lembrou também que houve influência das férias coletivas concedidas pelo setor automotivo. Um outro fator mencionado pelo ministro foi a dificuldade de crédito no setor de construção civil. Lupi, porém, disse estar confiante de que com as medidas adotadas pelo governo para a construção civil o setor vai voltar a contratar. Segundo ele, o mercado interno brasileiro começa a se reaquecer. "Espero que o gargalo do financiamento se dissipe", disse.   2009   Lupi disse ainda que a sua expectativa é de que sejam criados em 2009 cerca de 1,8 milhão de novos postos de trabalho. Segundo o ministro, a criação desses novos postos acontecerá principalmente nos setores de habitação, saneamento e infra-estrutura urbana em função de políticas públicas definidas pelo governo. Só nesses setores, de acordo com os dados do ministro, serão criados 1,37 milhão de novos postos de trabalho.   "O Brasil não terá desaceleração. Pode não manter o mesmo nível de crescimento", disse Lupi ao avaliar o desempenho da economia brasileira. Segundo ele, algumas empresas anteciparam as contratações no início do ano "e deram uma paradinha" para ver o que vai acontecer.   Lupi disse que o governo está agindo para que haja linhas de crédito para diversos setores. Na sua opinião, isso atenuará "em muito" a diminuição no ritmo de crescimento. Na sua avaliação, a economia brasileira se sustenta com base no mercado interno. Ele também defendeu a redução da taxa de juros para consumidor. Ele reconheceu que a retração econômica internacional influencia o mercado brasileiro. E destacou: "o Brasil está fazendo o seu dever de casa".

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