Crise reduz entrada de dólares

Queda foi de quase US$ 2 bilhões nos primeiros 9 dias úteis do mês

Gustavo Freire, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 00h00

Em meio à crise no mercado externo, a entrada líquida de dólares no País caiu para US$ 270 milhões nos primeiros nove dias úteis deste mês. Divulgado ontem pelo Banco Central (BC), o resultado é quase US$ 2 bilhões menor que os US$ 2,177 bilhões de igual período de 2006. Ainda assim, o fluxo acumulado no ano estava positivo em US$ 70,325 bilhões no dia 14 e já superava os US$ 37,27 bilhões de todo o ano passado.A queda da entrada de dólares em setembro foi alimentada, principalmente, pelo resultado negativo de US$ 1,314 bilhão do segmento do mercado cambial por onde são feitas as transações financeiras. A razão para um saldo negativo quase US$ 1 bilhão maior que o de igual período do ano passado pode estar numa decisão de estratégia das empresas brasileiras.''''Muita gente deixou de fazer novas operações de crédito no exterior nos últimos dias, esperando a decisão do Fed sobre a taxa de juros nos Estados Unidos'''', disse o economista Leonardo Miceli, da Tendências Consultoria. O objetivo, segundo Miceli, seria o de aproveitar a redução dos juros e voltar a tomar empréstimos somente após a queda dos custos.O economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, não vê no resultado negativo do chamado fluxo financeiro nenhum sinal de fuga dos investidores de ativos brasileiros. ''''O que chama a atenção nos dados divulgados pelo BC é a queda de liquidez no segmento financeiro tanto nas operações de entrada como de saída de capitais.'''' A redução na liquidez, segundo Luis Otávio, pode ter sido gerada pela cautela dos investidores.Apesar do fluxo mais fraco, o real valorizou-se 3,77% nos primeiros nove dias úteis do mês. ''''A valorização foi reflexo da queda do risco Brasil no período. Os bons fundamentos da economia brasileira prevaleceram mais uma vez'''', disse Miceli.No segmento comercial, que registra operações diretamente ligadas ao comércio exterior, houve crescimento das contratações de câmbio feitas pelos importadores, de US$ 2,582 bilhões nos nove primeiros dias úteis de setembro de 2006 para US$ 4,161 bilhões neste mês.

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