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Crise se agravará se atingir bancos, diz ex-presidente do BC

Para Gustavo Franco, problema com crédito não terá grandes conseqüências se ficar restrito aos hedge funds

Vinícius Pinheiro, da Agência Estado,

09 de agosto de 2007 | 16h36

A atual crise no segmento de crédito imobiliário subprime (de alto risco) nos Estados Unidos não deve ter maiores conseqüências se ficar restrita aos hedge funds (fundos que tentam reduzir o risco, mas não têm regulamentação). A análise é do ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos, Gustavo Franco. "Se os problemas de liquidez não atingirem os bancos, a vida segue. Algumas pessoas vão perder dinheiro, mas, como se diz no mercado, do chão não passa", afirmou.  Veja também:Bolsas caem em todo o mundo por temores com crédito Franco evitou comentar a decisão do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) de injetar recursos com o objetivo de aliviar a falta de liquidez em seus respectivos mercados. No entanto, ele considerou que, em momentos de crise, muitos ativos de boa qualidade acabam sofrendo por conta da indisposição momentânea dos investidores. Para o ex-presidente do BC, as autoridades reguladoras deverão tomar providências se a crise comprometer o capital dos depositantes das instituições financeiras. Ele defendeu a necessidade de um maior controle sobre as operações dos fundos hedge, especialmente no que se refere à separação das atividades das empresas e dos bancos e da alavancagem de algumas instituições a esses fundos. Brasil Franco avaliou que dificilmente as dificuldades vividas no mercado imobiliário norte-americano se refletirão de forma mais grave no mercado brasileiro. "A restrição de liquidez deveria provocar um impacto devastador, mas desta vez não aconteceu nada demais", observou. Ele comparou a última crise "verdadeira" no mercado - com a quebra do hedge fund LTCM, em 1998, que levou o Risco País a bater os 2000 pontos - com a turbulência atual, que levou o indicador a pouco mais de 200 pontos. "Felizmente, a melhora na qualidade da gestão da política econômica nos últimos anos agora nos protege", afirmou.  Juros Franco afirmou também que vê espaço para a continuidade da redução de 0,50 ponto porcentual na taxa básica de juros da economia, a Selic (atualmente em 11,5% ao ano). "Não gosto de psicografar o BC, mas me parece evidente que a situação da inflação permite a continuidade dos cortes (de 0,50 ponto)", avaliou.Por outro lado, ele considerou que a atual oscilação nos mercados financeiros internacionais pode justificar a opção por uma queda menor na taxa. "A turbulência pode dar um alento aos falcões (mais conservadores) e a queda de 0,25% pode parecer mais lógica na próxima reunião", afirmou, em entrevista após participar do 4º Seminário Anbid de Direito do Mercado de Capitais.A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) acontece nos dias 4 e 5 de setembro. No último encontro, os diretores do BC decidiram reduzir a Selic em 0,5 ponto, de 12% para 11,5% ao ano. No entanto, o placar foi apertado: 4 favoráveis à decisão contra 3 que defendiam um corte menor, de 0,25 ponto.

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