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Crise se alastra e BCs reforçam intervenção

O medo de que a crise das hipotecas de alto risco dos Estados Unidos provoque uma forte restrição do crédito em geral espalhou-se ontem por diversos países. Com isso, os bancos centrais locais tiveram de despejar dinheiro para conter a alta dos juros nos mercados de empréstimos interbancários. No total, os BCs puseram cerca de US$ 140 bilhões no sistema financeiro. O valor das intervenções - incluindo as de quinta-feira - está na casa de US$ 300 bilhões. Entenda a crise no mercado   Outra vez, o maior montante foi desembolsado pelo Banco Central Europeu (BCE), de US$ 83,5 bilhões. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou sua injeção de US$ 24 bilhões na quinta-feira para US$ 38 bilhões ontem. Os bancos centrais do Japão, do Canadá, da Suíça, da Austrália, da Noruega, da Coréia do Sul e de Cingapura também tiveram de intervir no mercado. Nas bolsas de valores, o dia foi de intensa volatilidade. Na Europa, as perdas foram pesadas. A Bolsa de Londres despencou 3,71%, maior queda do ano. Nos EUA, o nervosismo diminuiu perto do fim dos negócios. O Índice Dow Jones caiu 0,24%. No Brasil, o impacto maior foi no câmbio. O dólar subiu 1,35%, para R$ 1,952, maior valor desde 26 de junho. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) acompanhou a tentativa de melhora em Nova York e reduziu as perdas no fim do pregão. O recuo de 1,48% levou o indicador para 52.638 pontos. Desde que a turbulência nos mercados internacionais começou, em 24 de julho, o Ibovespa perdeu 9,3%. O valor de mercado das empresas que têm ações negociadas na Bolsa paulista caiu de R$ 2,237 trilhões em 23 de julho para R$ 2,125 trilhões na quinta-feira, dia 9. Como ontem o Ibovespa voltou a cair, o prejuízo dos investidores desde o início das oscilações já supera R$ 112 bilhões. Para o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon, as intervenções dos bancos centrais têm um aspecto positivo e outro negativo. "A intervenção coordenada é positiva porque garante liquidez aos mercados", afirmou. Foi esse fator que, segundo analistas, acalmou um pouco as bolsas americanas à tarde. "O lado ruim é que alguma coisa grande está acontecendo e ninguém sabe o que é", ressaltou Salomon. Uma das hipóteses levantadas por analistas para as intervenções dos BCs é a de que alguma instituição esteja com dificuldades para se financiar no mercado. Diariamente, essas instituições emprestam e tomam emprestados recursos de seus pares. É o mercado conhecido como interbancário. O teto para o juro cobrado nessas operações é a taxa básica de cada país, definida pelos bancos centrais. No caso da Europa, essa taxa é hoje de 4% ao ano. Nos EUA, é de 5,25%. No momento em que os BCs injetaram recursos, essas taxas superavam a meta dos BCs. Não se sabe se essa alta além da taxa básica tenha ocorrido por causa de alguma instituição específica. "A eventual quebra de um grande banco certamente agravaria a situação", disse Salomon.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

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