Crise será tema de aulas nos EUA

Keynesianos ganham terreno

, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

O ano letivo nos Estados Unidos começa hoje com uma novidade para os alunos: matérias sobre a crise financeira internacional, que teve seu ápice na segunda semana de aulas no ano passado. O colapso dos mercados financeiros e o crescimento da intervenção do Estado na economia levaram ainda a um aumento da leitura de autores keynesianos nos cursos básicos de macroeconomia.

No passado, eventos como os ataques de 11 de Setembro também provocaram mudanças nas universidades americanas, mas na área de ciência política. Desta vez, são os departamentos de economia que se reformam.

Depois de décadas de domínio dos neoclássicos em grande parte dos programas de macroeconomia, os keynesianos e seguidores da teoria comportamental voltam a ganhar espaço, conforme escreveu Paul Krugman, Nobel de Economia e professor de Princeton, em artigo na revista do New York Times.

A Escola de Administração de Empresas Stern, da Universidade de Nova York, mais conhecida como NYU, ganhou força durante a atual crise porque um de seus professores, Nouriel Roubini, se tornou o "guru" dos acontecimentos que se sucederam à quebra do banco de investimentos Lehman Brothers.

Agora, neste semestre, os alunos do MBA poderão ter uma matéria eletiva denominada Crise Financeira e Política Responsável. Quem dará as aulas é Kim Schoenholtz e não há mais vagas.

No programa, os alunos estudarão questões como "por que essa crise é tão longa, ampla e profunda? Quais as fontes do fracasso do mercado? Há conflito entre estabilidade financeira e estabilização econômica? Os bancos centrais podem ser efetivos quando a taxa de juros se aproxima de zero?"

As aulas terão convidados como o ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Robert Rubin.

A Universidade Harvard - que enfrenta a sua própria crise ao não ter condições de pagar as suas contas, que já afeta o seu prestígio - terá um curso com o nome de Crise Financeira, que "examinará em detalhes os eventos no mercado financeiro desde 2007".

A bolha no mercado imobiliário americano também fará parte do currículo da aula do professor Jeremy Stein.

Yale optou por um curso mais amplo, abordando as crises financeiras na história econômica americana, e não apenas a atual. Até mesmo a Universidade de Chicago, tida como o bastião do neoliberalismo, organizou um curso sobre a "Crise Global Internacional".

Entre as leituras do currículo de Yale estão campeões de vendas como In Fed We Trust (No Fed nós Acreditamos), de David Wessel, editor do jornal Wall Street Journal, e Inside the History of The Colapse oF Lehman Brothers (Dentro da História do Colapso do Lehman Brothers), de Lawrence Mcdonald, um ex-funcionário do banco.

A Universidade Columbia, que tem aulas sobre crises em diversos países, incluindo Brasil e Rússia, não terá nenhum curso específico sobre os EUA. Joseph Stiglitz, um dos principais críticos dos neoclássicos, só voltará a dar aulas em janeiro na universidade onde estudou Barack Obama. Mas, no currículo de macroeconomia, foi elevada a quantidade de aulas dedicadas ao estudo de Keynes, antes abordado em apenas um dia, com outras teorias - Marx continuará de fora. O restante do curso segue composto pelas políticas neoclássicas.

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