Crise transforma Japão na economia mais endividada do mundo

País tem buraco equivalente a 200% de seu próprio PIB após desastre natural e nuclear

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo,

21 de abril de 2011 | 10h31

O Japão vive sua pior crise desde o final da Segunda Guerra Mundial e tem seu crescimento cortado pela metade, diante da crise natural e nuclear que enfrenta o país. Os dados são da OCDE que rebaixou a perspectiva de expansão do PIB da terceira maior economia do mundo e alertou que o Japão já é o país mais endividado do mundo, com um buraco equivalente a 200% de seu próprio PIB.

Cidades inteiras terão de ser reconstruídas, depois do impacto do terremoto e tsunami. A falta de eletricidade ainda afeta o setor industrial e as exportações sofrem uma queda importante. Para completar, a redução da renda no setor do turismo é a pior em 50 anos e milhares de estrangeiros deixaram o país.

Diante deste cenário, a constatação é de que é de que mais de 2% do PIB japonês será gasto para reconstruir o país. Para 2011, a terceira maior economia do mundo deverá crescer em apenas 0,8%, e não mais os 1,7% previstos no início do ano.

As exportações em março despencaram e o superávit comercial foi reduzido em 79%. Empresas suspenderam suas produções e o setor automotivo foi obrigado a dar ferias coletivas diante da queda de 27% nas vendas.

Se não bastassem os problemas internos, mais de 30 países adotaram medidas de restrição contra os produtos japoneses, temendo problemas de contaminação nuclear. Consumidores de sushi em todo o mundo abandonaram os fornecedores japoneses nas últimas semanas.

Segundo a OCDE, o impacto na produção poderá ser compensado com a necessidade de reconstrução do país e os investimentos que terão de ser feito para recolocar o Japão de pé.

O problema é que outra crise estaria se desenvolvendo: a da dívida. Hoje, o Japão já tem uma dívida pública " sem precedentes " de mais de 200% do PIB, taxa que poderá se agravar diante das . necessidade de reconstrução.

Para a OCDE, uma solução seria apelar por uma maior " solidariedade do povo japonês ". Em outras palavras, aumentar impostos. O governo já anunciou o aumento da taxas de valor agregado de 5% para 8%.

A avaliação da entidade é de que, apesar da crise, o Japão irá superar a crise. Em 1995, o terremoto de Kobe custou US$ 110 bilhões. E apenas em um ano o país se recuperou.

Desta vez, o problema é o abastecimento de energia no país, profundamente afetado. Uma série de medidas já começam a ser estabelecidas para enfrentar o verão, além de um racionamento de energia, no país conhecido por seus letreiros e pela dimensão eletrônica da sociedade.

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