Crise trava projetos de pesquisa mineral no Norte

Empresas dizem que financiamento para a atividade, considerada de risco, está cada vez mais escasso

Mônica Ciarelli, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

A crise internacional, que já fez a mineradora Vale cortar produção e demitir 1,3 mil funcionários, também bateu pesado nas empresas de pesquisa mineral da região Norte. A situação é tão crítica que algumas já suspenderam as operações e outras estão reduzindo drasticamente suas atividades - como a Serabi Mineração e a Brazauro, que cortaram em cerca de 50% suas atividades de prospecção mineral. O vice-presidente de exploração da Brazauro, Elton Pereira, destaca que a mudança no cenário mundial foi muito rápida. Até agosto, conta, era uma tarefa quase impossível encontrar um geólogo disponível para contratação. Hoje, ele recebe entre 2 e 3 currículos de geólogos por dia. "Ninguém esperava uma mudança tão brusca na demanda mundial. Companhias grandes como a Xstrata(empresa anglo-suíça que faz pesquisa mineral na região de Carajás) e a Votorantim Metais já tiveram de demitir." O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) calcula que as empresas de pesquisa mineral na região Norte movimentam entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões em investimentos por ano. A principal dificuldade dessas companhias agora é conseguir financiamento. Isso porque as "junior companies", como são conhecidas essas pequenas empresas de exploração mineral, utilizam bolsas de valores estrangeiras, especialmente a de Toronto, no Canadá, para levantar recursos para financiar seus projetos. "Pesquisa mineral é uma atividade de risco. E, nesse momento, os investidores estão muito avessos ao risco", explica o presidente da Serabi Mineração, Wanderlan de Almeida. Segundo ele, a dificuldade de acesso ao crédito já levou a companhia a reduzir em até 60% seu número de funcionário.O presidente do Ibram, Paulo Camilo, acredita que o Brasil corre o risco hoje de repetir o quadro dramático de alguns anos atrás, quando houve uma quase paralisação das atividades de prospecção mineral. "Entre os anos 80 e 90 quase não tivemos novas informações geológicas. Hoje, trabalhamos basicamente com o que foi descoberto nos anos 70", lembra. Para Camilo, o Brasil chegou despreparado para aproveitar o "boom" da mineração a partir de 2000 exatamente por conta dessa parada nas atividades entre as décadas de 80 e 90. "Fomos pegos despreparados para colher o forte aumento da demanda."

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