Crise vai gerar 20 milhões de desempregados até 2009, diz OIT

Se previsão se confirmar, mundo atingirá pela primeira vez a marca de 210 milhões de pessoas sem emprego

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

20 de outubro de 2008 | 09h04

A atual crise econômica irá gerar 20 milhões de novos desempregados no mundo até o final de 2009, revertendo anos de avanços na área social e agravando a pobreza e desigualdade. O alerta é da Organização Internacional do TRabalho (OIT) que prevê demissões em massa diante da desaceleração das principais economias do mundo, como Estados Unidos, Europa e Japão. Em um evento em que o Estado foi o único jornal latino-americano a ser convidado, o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, elogiou a situação do Brasil, mas deixou claro: "Ninguém estará imune ao problema".   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     Pelos cálculos feitos pela entidade, o número de desempregados passará pela primeira vez a marca dos 200 milhões de pessoas. "Passaremos de 190 milhões de pessoas sem trabalho no início de 2008 para cerca de 210 milhões. Essa é a primeira vez na história que a humanidade atinge esse marca", afirmou Somavia. Os 20 milhões de novos desempregados seriam gerados, portanto, em apenas dois anos.   Ele ainda alerta que os números podem ainda ser maior. "Esses dados podem estar inclusive subestimados", disse o chileno que dirige a entidade ligada à ONU. Os cálculos do desemprego foram feitos a partir dos dados de crescimento econômico divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). "Para 2009 teremos um crescimento de 0,1% nos Estados Unidos, 0,2% na Europa e 0,5% no Japão", disse. "Isso, na realidade, significa um crescimento zero nas maiores economias do mundo", afirmou.   "Esses números podem ser ainda piores, o que significa que o desemprego também poderá ser maior dependendo de quanto tempo será a recessão e qual será sua profundidade. A realidade é que a crise financeira está tendo implicações bem mais amplas", disse Somavia.   Nas últimas semanas, uma série de setores vem já tendo suas vendas afetadas pela crise. Um dos principais é o setor automotivo. Em setembro, o registro de carros novos na Europa já caiu em 8%. Empresas como a Opel e BMW fecharam momentaneamente suas fábricas em toda a Europa, enquanto outras reduziram os salários dos empregados.   Um dos principais impactos ainda será na classe mais pobre. A camada da população mundial que ganha menos de US$ 1,00 por dia vai aumentar de 480 milhões de pessoas para 520 milhões. Entre os que ganha até US$ 2,00, o aumento de pessoas afetadas será de 100 milhões. No total, 1,4 bilhão de pessoas estarão abaixo dessa linha de renda.   Para Somavia, o aumento da camada pobre é alarmante e poderá ter conseqüências graves para os objetivos da ONU de reduzir pela metade a fome e a pobreza no mundo até 2015. Mas ele também destaca para a deterioração da situação da classe média. "Muitos na classe média estão vendo que estão vivendo agora em dificuldades", disse.   Outro grupo que será afetado será o dos jovens. A OIT já destacou que o desemprego entre os jovens pode gerar o aumento da criminalidade em alguns países e até fortalecer movimentos terroristas em outros.   Texto ampliado às 11h05 

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