Crises da Venezuela e Colômbia não atingem Brasil, dizem europeus

Analistas para países emergentes do mercado financeiro europeu consultados pela Agência Estado acreditam que a instabilidade política na Colômbia e a potencial crise econômica na Venezuela não devem ter um efeito negativo substancial sobre o Brasil, o que poderia diminuir o apetite do investidor interncional pelo país. Segundo eles, a crise argentina é uma prova de que o investidor na América Latina sabe distinguir os diferentes problemas que afetam a região. Além disso, o conflito entre o governo e a guerrilha na Colômbia e a desconfiança com o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, são de longa data e não causam grande surpresa. Alguns analistas admitem, no entanto, que no longo prazo, caso ocorra uma acumulação de problemas - a manutenção da crise na Argentina, agravamento dos problemas na Colômbia e Venezuela e um candidato oposicionista como vencedor nas eleições presidenciais brasileiras - a percepção de risco da região poderia ser afetada."No momento, Venezuela e Colômbia não afetam o Brasil", disse o analista para emergentes do banco francês Natexis Banques Populaires, Charles Valentin. "A visão do mercado em relação ao Brasil é positiva, o país está descolado e a maior prova disso é que nem mesmo toda essa crise na Argentina conseguiu abalar esse clima favorável." Segundo ele, a sucessão presidencial brasileira será um fator fundamental para o risco do País nos próximos meses.O analista para Brasil do Dresdner Kleinworth Wasserstein, Nuno Câmara, também minimizou os eventuais efeitos das turbulências na Colômbia e Venezuela. "Não acredito que afete o Brasil, o problema político na Colômbia é antigo, já está precificado", disse. "O investidor que conhece a região tem um leque de opções diferenciado para o cone sul". Câmara afirmou que a condução da economia venezuelana representa um contraste ao que ocorre no Brasil. "O governo brasileiro vem mantendo uma política monetária e fiscal austera, atraindo a confiança do investidor, enquanto que a Venezuela, pressionada pela queda dos preços do petróleo, está adotando medidas vistas como negativas pelo mercado.""Se o Brasil conseguiu reverter um quadro negativo durante a escalada da crise argentina, acho improvável que a Colômbia e Venezuela sejam fontes de preocupação", disse o diretor de um banco europeu com forte presença no Brasil. "Apenas no longo prazo, caso cresca a incerteza sobre a vitória governista na sucessão presidencial brasileira, a percepcão de risco de toda América do Sul poderá ser agravada."

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