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Crises entrelaçadas

A paralisia da economia vem da crise política, mas também dos graves erros de administração cometidos nos últimos anos

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2015 | 21h00

Esta crise política está servindo ao menos para lembrar aos desatentos de sempre que não basta meio balaio de votos e alta dose de voluntarismo para governar. É preciso, também, fundamentos econômicos sólidos.

Neste seu segundo mandato, a presidente Dilma vai colecionando fracassos políticos. As seguidas derrotas no Congresso mostram que a reforma do ministério, feita com grande empenho de capital próprio para evitar o impeachment, parece não ter servido para grande coisa, como na quarta-feira reconheceu entre decepcionado e surpreso o líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS). Não garantiu nem mesmo o controle da base de governo.

A presidente Dilma contava, também, com a extensa e pirotécnica argumentação do Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams, e com o périplo missionário do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, para arrancar a aprovação de suas contas pelo Tribunal de Contas da União. Mas elas acabaram sendo rejeitadas por unanimidade, como se viu. Também não vem tendo sucesso para suas demandas no Supremo com juízes que ela própria indicou.

Não dá para separar a crise política da crise econômica. A crise política paralisa a administração econômica, mas também guarda relação com os graves erros de administração nos últimos seis ou sete anos, os mesmos que deterioram a qualidade dos fundamentos da economia.

As pedaladas, por exemplo, aconteceram não só porque um secretário irresponsável montou um canal incestuoso entre o Tesouro e os bancos, mas também porque as contas públicas já estavam fortemente infeccionadas e, no desespero, prevaleceu a saída aparentemente mais fácil e, também, mais enganadora.

Enfim, o esmerilhamento político do governo Dilma também acontece porque suas decisões e/ou omissões afundaram as contas públicas, derrubaram o PIB, puxaram a inflação para 10% ao ano, sucatearam a indústria, dilapidaram a Petrobrás, desorganizaram o setor elétrico e afundaram o setor do etanol – enfim, desorganizaram a economia.

Diante do aprofundamento do processo de desmanche do governo a que o País assiste nas últimas semanas, alguns analistas se adiantaram a apostar em que o fim do caminho está logo aí. Além de apressado, esse diagnóstico tem seu lado negativo porque trabalha contra o ajuste, supostamente porque fica à espera de que a equação política seja resolvida antes da econômica.

Ninguém está em condições de prever nem o cronograma de desenvolvimento nem o desfecho desta crise política. Imponderáveis de grande densidade, como a Operação Lava Jato, também devem interferir.

Dentro do PT e adjacências não faltam propostas populistas destinadas a ganhar tempo. É o que prega, por exemplo, o documento denominado Por um Brasil justo e democrático, lançado há dez dias pela Fundação Perseu Abramo.

E, no entanto, não há opção fora do ajuste tal como apresentado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Qualquer outro que eventualmente viesse a substituí-lo teria de executar, com insignificantes diferenças de estilo e de ritmo, a política de austeridade das contas públicas.

CONFIRA:

As cotações do dólar no câmbio interno continuam descendo a ladeira. Nos primeiros seis dias úteis de outubro, a queda acumulada é de 4,1%.

Novo baque na confiança

Em agosto, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio havia crescido 2,0%. Mas em setembro voltou a cair. Desta vez, caiu 0,7% em relação a agosto. Comércio mais desanimado implica menores encomendas à indústria. Enquanto isso, o crédito segue semi paralisado. Os fornecedores das grandes redes de varejo enfrentam enormes dificuldades para honrar seus compromissos.

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