Cristina assina projeto que acaba com Previdência Privada

Projeto transfere recursos para o Estado, como forma de proteger trabalhadores da crise financeira mundial

Marina Guimarães, da Agência Estado,

21 de outubro de 2008 | 20h27

A presidente Cristina Kirchner assinou na noite desta terça-feira, 21, o projeto de lei que reforma o sistema previdenciário da Argentina. O projeto elimina os fundos de pensão privados e transfere os recursos para o Estado. O sistema de aposentadoria e pensão passará a ser administrado pelo governo, se o projeto for aprovado pela Câmara e pelo Senado.   Veja também: Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise     "Estamos adotando essa decisão em um contexto internacional onde os principais Estados, integrantes do G-8 e também de outros que não fazem parte do G-8, estão adotando uma política de proteção para bancos e, no nosso caso, estamos protegendo os aposentados, os trabalhadores", afirmou a presidente em seu discurso durante a solenidade de assinatura do projeto de lei.   "A situação financeira internacional está mostrando que estávamos certos em nossa postura de que o Estado está aí para assumir a responsabilidade de políticas públicas", insistiu a presidente. "O que estamos fazendo hoje é uma decisão estratégica", afirmou.   A presidente também se defendeu das acusações da oposição e dos fundos de pensão de que a medida foi desenhada para que o governo engrosse seu caixa. "Quando este governo decide intervir na Aerolíneas Argentinas não o faz pensando no caixa, mas pensando em conseguir competitividade em todo nosso país; quando assumimos a companhia de Águas Argentinas, não pensamos no caixa, mas pensamos nos setores mais vulneráveis da cidade que não contavam com água e esgoto", argumentou.   Segundo ela, agora, o governo quer defender os aposentados e pensionistas e começou fazendo isso no ano passado, quando incorporou os "mais de 1,5 de argentinos que não eram atendidos por esse sistema de capitalização porque não tinham emprego, e quem está desempregado não podia pagar os fundos".   "Defendemos o caixa da Anses" (Administração Nacional de Seguridade Social, similar ao ministério de Previdência), disse Cristina afirmando que quando o governo decidiu intervir ou assumir o controle de empresas privatizadas, as mesmas já tinham sido saqueadas. Por isso, "tomamos essa medida estratégica para proteger os recursos dos aposentados e pensionistas antes que sofressem danos", detalhou prevendo que "vai haver muitas pressões de toda índole e de todas as naturezas".   "Mas eu peço à todos, aos partidos populares e democráticos, que têm feito discursos sobre isso, e aos outros que pensam diferente que, por uma única vez, deixem de pensar individualmente e pensem seriamente no futuro da Argentina", destacou. "Essa decisão transcende um governo, transcende partido político e essencialmente a nossa geração. Isso tem a ver com o futuro, com as próximas gerações, com um mundo que mudou definitivamente e exige que repensemos que país e que governo queremos", arrematou.   O diretor da Anses, Amado Boudou, por sua vez, disse que a decisão do governo foi tomada porque os recursos dos futuros aposentados correm risco diante da atual crise. "Os que querem se aposentar hoje verão que têm muito menos dinheiro do que as AFJP (fundos de pensão) informam em seus extratos", afirmou. Também mandou um claro recado ao mercado local que tem reagido fortemente contra o decisão oficial. "Diante da incerteza que vivemos, uma queda na bolsa é uma rebaixa nas futuras aposentadorias, e um sistema de previdência existe para atender os trabalhadores e não à bolsa", afirmou.

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