Cristina ataca crise de energia

Presidente reconhece riscos de racionamento e lança hoje programa de estímulo à redução do consumo

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2007 | 00h00

O governo da presidente Cristina Kirchner lança hoje um programa de combate à crise energética que assola a Argentina desde 2004. O programa atende aos pedidos empresariais para que o governo adote medidas urgentes contra a crise, para evitar um novo racionamento de energia neste verão.Com o programa, Cristina passa a admitir a existência de uma grave crise energética, fato que seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner - apesar do racionamento de energia imposto às indústrias entre maio e agosto - negou-se a confirmar. O cerne do programa é o de um "consumo mais eficiente".Informações extra-oficiais indicavam ontem que uma das medidas seria a mudança do fuso horário, com o adiantamento de uma hora nos relógios de todo o país. Essa medida poderia começar até o fim deste ano. A Argentina não tem horário de verão desde 1993, quando o então presidente Carlos Menem desistiu do sistema. Os rumores, na época, indicavam que por trás do fim do horário de verão estavam as empresas recém-privatizadas de energia (as privatizações ocorreram em 1991). Além disso, fala-se que o governo de Cristina Kirchner vai mandar reduzir o consumo de energia nos prédios públicos. No inverno, apesar da crise, o governo manteve a iluminação das repartições, além das luzes dos monumentos. O governo deve fazer uma campanha de comunicação para convencer os consumidores a trocar suas lâmpadas por outras de menor consumo. Um subsídio para a compra dessas lâmpadas não está descartado.Entre o fim de maio e meados de agosto, a crise energética provocou a suspensão do abastecimento de gás e eletricidade para quase 5 mil indústrias na Argentina. A indústria conseguiu evitar uma grande queda da produção graças a um sistema de turnos de trabalho, ao armazenamento de gás e à compra de geradores. Na ocasião, Kirchner preferiu que o setor industrial pagasse o custo da crise, para não irritar os consumidores residenciais, ou seja, os eleitores que iriam às urnas em outubro escolher o novo presidente. Nos últimos meses, prevendo outra crise, os empresários começaram a pedir providências para evitar novos racionamentos. Ao longo de 2008, o governo de Cristina finalizará uma série de pequenas termoelétricas. Além disso, pensando a longo prazo, a presidente já negocia com o Brasil a construção da hidrelétrica binacional de Garabi, sobre o Rio Uruguai, na fronteira entre os dois países.

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