Cristina cria rede de mercados para vender alimento subsidiado

Presidente da Argentina tenta combater escalada inflacionária cuja existência é negada pelo seu governo

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

O governo da presidente Cristina Kirchner ressuscitou ontem uma lei de 1971 do então ditador e general argentino Alejandro Lanusse para implantar uma rede de supermercados estatais que ostentarão em grandes placas o nome de "Mercados de Interesse Nacional".

A ideia, similar aos "Comersitos" - a rede de pequenos mercados estatais criada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez -, é a de implantar em todo o país uma rede de mercados que venda alimentos a preços baixos. Além disso, pretende abastecer redes de supermercados populares, como uma espécie de mercado central.

O plano da presidente Cristina, em meio a este ano de eleições presidenciais, é vender alimentos a preços mais baixos que as redes privadas de supermercados. O governo, dessa forma, por intermédio da nova rede estatal e com alimentos subsidiados, tentaria combater a escalada inflacionária cuja existência a própria administração Kirchner nega.

O primeiro "Mercado de Interesse Nacional" será inaugurado no dia 12 de maio no município de José C. Paz, na Grande Buenos Aires, onde se concentra o principal reduto eleitoral do governo Kirchner.

A rede de supermercados estatais estará na órbita do secretário de Comércio, Guillermo Moreno, famoso por seus constantes confrontos com as grandes redes privadas de supermercados.

Moreno é também o responsável pela intervenção no Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo que elabora o índice de inflação. Economistas independentes, sindicatos de esquerda, associações de consumidores e grupos empresariais afirmam que Moreno "maquia" a inflação. Além disso, Moreno foi o responsável por várias restrições à entrada de produtos importados no mercado interno argentino, entre eles os fabricados no Brasil.

Para todos. Nos últimos meses, a presidente Cristina lançou programas para distribuição de alimentos subsidiados, como o "peixe para todos" e o "milanesas para todos". Na terça-feira, ela lançou o "carne para todos", um sistema de distribuição de 13 cortes de carne bovina com preços três vezes mais baixos do que nos supermercados e açougues. A distribuição é feita em caminhões-frigoríficos nos bairros mais pobres dos municípios.

Analistas criticaram o plano da presidente Cristina, destacando que a medida é puramente populista, já que na prática o programa distribuirá 10 toneladas de carne diariamente, isto é, 0,15% do consumo nacional diário é de 6,6 mil toneladas.

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