Cristina diz que não assina nada 'sob ameaça'

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, declarou ontem que não assinará "coisa alguma sob ameaça de que o mundo vai cair", em alusão ao conflito na Justiça americana que seu governo mantém com os "holdouts", denominação dos credores que não aceitaram as reestruturações da dívida pública do país feitas em 2005 e 2010.

BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2014 | 02h05

Visivelmente irritada com as pressões dos fundos credores nos tribunais internacionais, a presidente sugeriu a existência de uma conspiração: "Os holdouts querem que as reestruturações caiam para que a Argentina pague a dívida com recursos naturais".

No dia 30 de julho, a Argentina terá de pagar US$ 535 milhões, nos Estados Unidos, aos credores que aceitaram a reestruturação da dívida. No entanto, o juiz federal de Manhattan, Thomas Griesa, determinou que a Argentina não pode fazer diferenciações entre os "holdouts" - que exigem o pagamento de US$ 1,3 bilhão - e os demais credores. Dessa forma, Griesa determinou o impedimento aos depósitos, fato que colocaria a Argentina em estado de "calote técnico" na semana que vem.

Durante um discurso em uma fábrica de motocicletas, Cristina criticou os economistas que afirmam que o país entrará em estado de calote: "Não vamos dar o calote, simplesmente porque dar o calote é não pagar. E a Argentina pagou". Segundo a presidente, "as agências qualificadoras de risco e os gurus econômicos terão de criar um novo termo para isso. Sempre encontram algum termo com o qual dissimular o que realmente está acontecendo: um devedor pagou e alguém bloqueou esse dinheiro e não deixa que ele seja entregue a terceiros". / A.P.

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