Cristina diz que vai copiar modelo adotado no Brasil

Composição acionária da YPF será semelhante à da Petrobrás, na qual o Estado brasileiro tem 51% de participação

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h04

Cristina Kirchner disse ontem que escolheu o modelo brasileiro para a gestão do setor de petróleo no país. O governo argentino expropriou ontem 51% das ações da YPF. Durante seu discurso, a presidente da Argentina citou vários casos de produção petrolífera estatal ou com grande peso do Estado na exploração.

"Estão aí os casos de Arábia Saudita, China, México, Venezuela, entre outros. E está o caso da Petrobrás, onde o Estado brasileiro tem 51% das ações. Esse é o modelo que escolhemos."

A YPF foi privatizada em 1992 ficando na mão de empresários argentinos, além de uma participação de 20% do Estado. A privatização foi respaldada calorosamente por Cristina, que na época era parlamentar.

Em 1999, a empresa foi vendida à espanhola Repsol. No discurso de ontem, Cristina omitiu seu respaldo à privatização e fez questão de ressaltar que o problema da empresa foi a "desnacionalização".

Até ontem, a composição acionária da YPF dividia-se entre 57,43% da Repsol, 25,46% do argentino Grupo Petersen, além de 17,11% na Bolsa (principalmente investidores americanos). Com a expropriação, 26,03% das ações ficam com o Estado argentino, 24,99% com as províncias, 25,46% com o Grupo Petersen e 6,43% que permanecerão nas mãos da Repsol.

O poderoso ministro de Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido, será o interventor da companhia. O vice-interventor será o atual vice-ministro da Economia, Axel Kiciloff.

O mentor jurídico do avanço do governo Kirchner na YPF nos últimos meses foi Roberto Dromi, que assessorou a Casa Rosada. Paradoxalmente, o próprio Dromi foi nos anos 90 o "cérebro" do então presidente Carlos Menem para implementar um processo de privatizações sem precedentes na América Latina.

Com a medida, a Argentina se junta ao grupo de países que, nos últimos anos, nacionalizaram empresas do setor de petróleo. Antes dela, Venezuela, Equador, Bolívia e Equador já haviam tomado ações semelhantes.

Reestatizações. O ex-presidente Néstor Kirchner e sua esposa Cristina tentaram reverter de forma parcial as privatizações feitas nos anos 90 com uma política de "reargentinização". Nos últimos cinco anos, reestatizaram o Correio Argentino, as Minas de Carvão Río Turbio, o Sistema Radioelétrico Nacional, a Aguas Argentinas, a companhia aérea Aerolíneas Argentinas e o sistema de aposentadorias.

Além disso, os Kirchners criaram pequenas estatais, como a Enarsa, uma energética que aspira recuperar o protagonismo que o Estado argentino perdeu com a privatização da YPF. Eles também criaram uma estatal aérea, a Lafsa, fundada para salvar a estrutura de duas pequenas empresas aéreas privadas falidas.

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