Cristina e o maior prédio da Argentina

Presidente da Argentina pretende construir o edifício mais alto da América Latina

ARIEL PALACIOS, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h05

BUENOS AIRES - A presidente Cristina Kirchner anunciou o projeto de construção do edifício mais alto da América Latina, com 335 metros de altura. Segundo Cristina, o prédio, que estará localizado entre os bairros de Puerto Madero e La Boca, no encontro do Rio da Prata com o Riachuelo, junto com os jardins ao redor, "terá a magnitude do Central Park de Nova York".

O edifício, que terá 67 andares e custará US$ 310 milhões será destinado aos canais estatais de TV da Argentina e o Instituto Nacional de Cinema, além de produtoras audiovisuais. A torre da presidente que se apresenta como "defensora dos pobres" também contará com um hotel de luxo.

A obra, classificada como "megalomaníaca" pelos representantes da oposição, pretende representar em sua forma o mapa da Argentina. No sopé do edifício "Argentina Audiovisual", a poucos metros da margem, em pleno Rio da Prata, uma ilha artificial será construída para instalar um estádio coberto de 13 mil metros quadrados com capacidade para receber 15 mil pessoas. Essa ilha representaria o Arquipélago das Malvinas.

Cristina Kirchner anunciou em rede nacional de TV que o prédio "será o símbolo da cidade" de Buenos Aires. Segundo ela, no 17 de outubro, data emblemática para os peronistas, pois é o dia em que o então coronel Juan Domingo Perón foi aclamado pela população na Praça de Mayo, dando início ao peronismo, ela e os representantes da empreiteira Riva S.A. colocarão a pedra fundamental do edifício.

A oposição afirma que a obra ficará apenas no papel, tal como o projetado trem-bala entre Buenos Aires e Rosário, que nunca saiu do papel e seria construído pela Alstom.

Os analistas políticos disseram que a obra é "faraônica" e recordaram que em 2010, ao inaugurar um gasoduto submarino entre a ilha de Terra do Fogo e a Patagônia, a presidente Cristina comparou-se com o faraó Quéops.

"Devo ser a reencarnação de um grande arquiteto egípcio", disse dois anos depois. Coincidentemente, sobre a mesa de seu escritório na Casa Rosada a presidente colocou há poucos meses um pequeno busto da rainha egípcia Nefertite (1370 a.C - 1330 a.C.).

Cristina disse que a obra levará cinco anos de construção. Na sequência, deu um recado ao próximo presidente: "Meu sucessor terá de continuar com esta construção". E depois, alertou em tom de piada a empreiteira: "Melhor que o pessoal da construtora termine a obra no prazo, pois senão os mato...".

A presidente - que há menos de duas semanas anunciou que pretendia mudar a capital do país de Buenos Aires para Santiago del Estero, no norte da Argentina - encerra seu mandato em dezembro do ano que vem.

Favelas. Na mesma cidade na qual a presidente Cristina Kirchner projeta a construção do edifício mais alto da América Latina, a população das favelas cresce de forma persistente.

Nos últimos quatro anos a proporção de habitantes das "Villas Miséria" (como são conhecidas as favelas) aumentou em 70%. Atualmente residiriam nas favelas de Buenos Aires 275 mil pessoas, quase 10% da população da capital do país.

Segundo um relatório apresentado pela Universidade Católica Argentina (UCA), 27,5% dos argentinos vivem abaixo da linha da pobreza. No entanto, segundo o governo Kirchner, a proporção de pobres é de apenas 6,1%.

Os dados do governo são elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo acusado de maquiar os índices de inflação, pobreza e também do Produto Interno Bruto (PIB).

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