Cristina fica isolada na troca da dívida

O governo da presidente Cristina Kirchner está isolado em sua intenção de aprovar o projeto de lei para a troca de jurisdição do pagamento dos títulos da dívida pública argentina pagos nos Estados Unidos que estão em estado de calote seletivo (ou parcial). Ao contrário das ocasiões anteriores, em 2005 e 2010, quando a maior parte da oposição apoiou, a contragosto, o projeto para a troca de títulos, desta vez os partidos críticos da presidente Cristina afirmam que a decisão do governo não resolverá o problema com os "holdouts".

ARIEL PALÁCIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h03

O projeto, que está polarizando as forças políticas, está sendo criticado pela União Cívica Radical (UCR), a Coalizão Cívica e o Partido Socialista, que indicam tratar-se de uma alternativa que "gera maiores riscos" para o país. O partido Proposta Republicana (PRO), do prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, sustenta que a medida é "pão para hoje, fome para amanhã". O cineasta e deputado federal Fernando Solanas, líder do Projeto Sul, de esquerda, sustenta que o projeto é "uma manobra unilateral que não resolverá o problema". Os deputados da Frente de Esquerda afirmaram que não votarão a favor, já que isso seria "validar a dívida externa".

O ministro da Defesa, o kirchnerista Agustín Rossi, acusou os partidos de oposição de serem "mesquinhos" ao negar-se a respaldar o governo. Na terça-feira, pela primeira vez desde que tomou posse, em 2007, a presidente Cristina pediu "grandeza" da oposição e convocou os partidos a votar a favor do projeto.

O governo conta com uma leve maioria na Câmara e no Senado. No entanto, nos últimos tempos a presidente Cristina, com a popularidade em baixa e apenas a 15 meses de encerrar seu mandato, sofreu uma sangria de aliados. Por isso, poderia despontar um cenário muito ajustado para conseguir a aprovação do projeto de lei. A sessão no Senado, primeiro lugar por onde passará o projeto, seria entre os dias 3 e 4 de setembro.

Segundo o ex-secretário de finanças Guillermo Nielsen, "esse projeto de lei somente deixa o 'campo de futebol' cheio de lama".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.