Cristina Kirchner adverte para risco de saques na Argentina

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Cristina Kirchner adverte para risco de saques na Argentina

Diante da onda de pessimismo na economia, presidente argentina tenta demonstrar otimismo, mas fala em ações para desestabilizar o governo

Ariel Palacios, Correspondente

16 de setembro de 2014 | 09h48


BUENOS AIRES – Calejados porsete graves crises econômicas nos últimos 40 anos, os argentinos estãonovamente pessimistas sobre o estado da economia do país, na contra-mão dogoverno da presidente Cristina Kirchner, que afirma que a situação é “boa” eque no ano que vem será “melhor”.

O pessimismo da população fica evidente nosresultados de uma pesquisa elaborada pela consultoria Management & Fit: 62,2% dos argentinos afirmam que a situação econômica do país serápior nos próximos meses. Outros 26% acreditam que a situação continuará“igual”, enquanto que apenas 10,4% são otimistas pelo futuro.

A gestão da presidente Cristina Kirchner é criticadapor 61,7% dos argentinos. Apenas 31% dos pesquisados a aprovam.

No entanto, enquanto aumenta a tensão social comsuspensões de operários e fechamentos de empresas, o governo Kirchner exibeotimismo sobre o presente e futuro da economia. Nesta segunda-feira, 15, o ministro da Economia,Axel Kicillof, afirmou durante a apresentação do projeto de Orçamento Nacionalque espera encerrar este ano com um crescimento de 0,5% do PIB, embora oseconomistas das principais consultorias econômicas de Buenos Aires calculam quea economia terá uma queda de 1,5% a 3%. Kicillof calcula que a inflação desteano será de 21,3%. No entanto, os economistas e sindicatos afirmam quealcançará a faixa de 40%.

No início deste ano o governo Kirchner previa umainflação de 9,9% e um crescimento de 6,2% do PIB.

Kicillof indicou que o projeto de Orçamento Nacionalpara 2015 o governo tem como meta uma inflação de 15% e um crescimento de 2,8%do PIB. Os economistas na city financeira portenha calculam um aumento máximode 0,5% do PIB e uma inflação de mais de 35%.

Saques. Apesar do otimismo, a Cristina e seusministros alertaram nos últimos dias para supostas manobras de desestabilizaçãosocial por parte de sindicalistas. A presidente Cristina afirmou que teme quesetores da oposição organizem saques a comércios na Argentina durante suavisita a Roma (sábado) e Nova York (quarta-feira da semana que vem).

“Não me surpreenderia que eles organizem uma espéciede matinê da função de dezembro”, disse Cristina pela rede social Twitter, comometáfora de uma hipotética onda de saques aos estabelecimentos comerciais nospróximos dias, como prelúdio de saques em grande magnitude em dezembro. 

Nasemana passada, o líder sindical Luis Barrionuevo – de oposição ao governoKichner - afirmou que o país poderia ser o cenário de uma “explosão social” nofinal deste ano.

Em dezembro passado uma onda de saques aestabelecimentos comerciais atingiu dois terços das províncias argentinas, comum saldo de 3 mil lojas e supermercados saqueadas em todo o país. Na ocasião ogoverno negou a possibilidade de que os saques tivessem ocorrido por causa dacrescente pobreza na Argentina, sustentando que haviam sido “organizados” pelospartidos da oposição.

Ontem (segunda-feira), o governador da província deCordoba, José Manuel de la Sota, sustentou que em diversas regiões do país existe“um coquetel economicamente negativo. Existe inflação e recessão, junto comprovíncias que não possuem financiamento”. 

De la Sota, do peronismo dissidente,de oposição, declarou que o governo Kirchner “está fabricando desempregados commedidas que constituem um atentado contra a produção econômica e que pioram asituação do país”.

O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich,criticou os líderes sindicais, afirmando que fazem “golpismo ativo”.

Gastos. Segundo a Associação Argentina de Orçamento(Asap), nos primeiros oito meses deste ano o governo Kirchner gastou 26% a maisdo que o previsto para todo 2014. Os aumentos foram implementados porintermédio de decretos presidenciais no caráter de “necessidade e urgência”.

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