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Cristina Kirchner agradece apoio e alerta vice para manter modelo

Presidente da Argentina fez hoje sua primeira aparição pública após a notícia de que fará uma cirurgia para tratar câncer na tireoide

Marina Guimarães, correspondente da Agência Estado em Buenos Aires,

28 de dezembro de 2011 | 15h14

BUENOS AIRES - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fez nesta quarta-feira, 28, a sua primeira aparição em público após a notícia sobre a sua cirurgia, no próximo dia 4, em consequência de um câncer na glândula tireoide. Bem-humorada e distribuindo sorrisos, a presidente manteve o tom usual de seus discursos, agradeceu "todas as mostras de solidariedade e de apoio", mas não fez referências diretas ao câncer. Cristina brincou com o vice-presidente Amado Boudou, que assumirá o Poder Executivo a partir do dia 4: "Cuidado como que você vai fazer, hein!", alertou Cristina se dirigindo a Boudou logo após comparar a atual situação com a vivida em seu primeiro mandato, no qual rompeu com o seu vice, Julio Cobos.

"É importante que o vice-presidente pense da mesma forma que a presidente eleita, porque imaginem o que poderia suceder, especialmente num mundo como o de agora, em crise, se assumisse alguém que defenda o esfriamento da economia, a eliminação total dos subsídios", comparou a presidente. Nesse primeiro discurso após a notícia de que sofre de câncer, Cristina manteve o hábito de atacar a imprensa: "Imagino as manchetes da imprensa amanhã, dizendo que a presidente pressionou o vice-presidente para que faça o que ela quer, autoritária e hegemônica", afirmou.

Cristina pediu colaboração de todos os funcionários, governadores, prefeitos e empresários para manter o modelo de crescimento econômico da Argentina, e aproveitou para criticar alguns setores sindicais e empresariais por "pressões" para manter "privilégios", numa clara alusão às ameaças da Central Geral do Trabalho e outros sindicatos de fazer greve para obter reajustes elevados de salários. Também pediu ajuda para melhorar a distribuição de renda no país e, novamente, se referiu à sua doença de maneira indireta: "Mesmo que uma pessoa só coloque sua saúde a serviço do país, sozinha com sua equipe ela não consegue" resolver os problemas do país. "Peço-lhes que não se comportem como setores, mas como parte da Argentina que somos, de 40 milhões de argentinos", pediu Cristina.

Ela agradeceu as ligações dos colegas latino-americanos e disse que o primeiro a demonstrar seu apoio foi Hugo Chávez, da Venezuela, seguido por Sebastián Piñeira, do Chile.

Para concluir, a presidente argentina avisou seus ministros e assessores que as férias de janeiro estão canceladas. "Vamos continuar com toda a força de sempre, e os funcionários que queriam sair de férias vão ter que ficar. Poderão até ir um fim de semana à praia, mas têm de ficar como sempre fizemos. Assumimos a responsabilidade que nos corresponde, sem jogar a culpa em ninguém, sem nos fazermos de vítima", afirmou a presidente apenas algumas horas após a confirmação de sua doença.

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