Cristina Kirchner e Lula tentam superar entraves no comércio

Presidente da Argentina sai satisfeita de encontro com o colega brasileiro e diz que problemas na área de comércio exterior entre os dois países serão resolvidos em conversas por telefone

Jacqueline Farid, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

As ameaças de restrição da Argentina às importações de alimentos do Brasil transformaram-se, ontem, em promessas de incremento comercial entre os dois países. Em reunião no Rio, a presidente Cristina Kirchner e o presidente Luis Inácio Lula da Silva combinaram iniciativas conjuntas para aumento do intercâmbio de negócios e, como sugestão do dirigente brasileiro, acordaram que qualquer problema entre os países serão discutidos entre os dois por telefone.

As informações foram dadas pela presidente argentina após a reunião com Lula, quando ela deixava o Museu de Arte Moderna (MAM) com destino ao seu país. Ambos participaram do Terceiro Fórum Aliança de Civilizações das Nações Unidas, que será encerrado hoje. "A reunião foi mais que boa", disse Cristina Kirchner sobre o encontro.

Os jornais argentinos e brasileiros noticiaram, ao longo desta semana, que haveria restrições da Argentina às importações de alimentos do Brasil, com possível retaliação brasileira.

As medidas já teriam provocado o cancelamento de 25% das compras de alimentos produzidos aqui com destino ao país vizinho. O governo daquele país negava as medidas. "Não haverá retaliação e, sim, aprofundamento das relações comerciais, aumento do intercâmbio", disse Cristina Kirchner.

Segundo ela, Lula disse que enviará ao seu país uma missão ministerial que incluirá os ministros da Fazenda, Guido Mantega e Miguel Jorge, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para discutir as medidas que serão tomadas para o aumento do comércio entre os dois países. O nome do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, também teria sido citado como parte do grupo brasileiro que participará das negociações, segundo a presidente argentina.

Negociação. Cristina Kirchner afirmou que o governo argentino não apresentou pedidos específicos ao presidente brasileiro. "Não houve pedidos, mas o Brasil tem consciência que, por seu volume e importância, precisa ter uma postura mais contemplativa com as economias que não têm essa importância", afirmou.

Enquanto o encontro entre os dois presidentes era realizado, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentava em entrevista, no mesmo fórum, que os possíveis conflitos entre Brasil e Argentina seriam resolvidos "na conversa, na harmonia".

"É um porcentual mínimo do nosso comércio", comentou sobre as restrições argentinas às importações de alguns produtos alimentícios do Brasil.

Nesta semana, o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, havia dito que o Brasil iria retaliar a Argentina caso as vendas de produtos alimentícios para o país vizinho fossem prejudicadas pelas restrições. Ele havia argumentado que importadores argentinos já teriam cancelado compras no Brasil por causa da perspectiva de um pacote de medidas para impedir a entrada das importações.

Exportadores brasileiros informaram em reportagem publicada ontem no Estado que já enfrentam dificuldade por causa do cancelamento de pedidos de importadores argentinos. A Brasfrigo, uma das maiores fabricantes brasileiras de conservas, informou que tem cerca de 25 caminhões parados na fábrica por causa do problema, o que provocou até agora um prejuízo estimado em US$ 700 mil. Outra exportadora brasileira, a Oderich, estima prejuízo de US$ 2 milhões. Importadores argentinos dizem sofrer pressões para que exportem o mesmo valor importado.

Boa vizinhança

CRISTINA KIRCHNER

PRESIDENTE DA ARGENTINA

"Não haverá retaliação e, sim, aprofundamento das relações comerciais, aumento

de intercâmbio"

"A reunião foi mais que boa"

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