Cristina Kirchner manda mudar cálculo da inflação

Nova presidente tenta recuperar credibilidade do Indec, e já demitiu dirigente

Marina Guimarães, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

O novo governo da Argentina pretende divulgar na próxima semana detalhes da nova metodologia para medir a inflação no país, segundo fontes do Ministério de Economia. O anúncio ocorrerá apenas alguns dias após a posse de Cristina Fernández de Kirchner, que já mandou demitir a principal funcionária questionada do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), Beatriz Paglieri, e dá pequenos sinais de que pretende recuperar a credibilidade do único órgão estatal responsável pelas estatísticas oficiais no país. O Indec caiu em desgraça em janeiro do ano passado com a demissão dos técnicos responsáveis pela compilação dos números do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). No mesmo mês, as cifras sobre a inflação começaram a ser menores do que as projeções do mercado.O país passou a ter uma inflação real, medida pelo mercado e por instituições acadêmicas e consultorias, e a inflação oficial, do Indec. A nova metodologia estatística será aplicada a partir do primeiro dia de janeiro, mas os detalhes da mudança serão explicados na semana que vem. A apresentação será feita pelo ministro de Economia, Martín Lousteau, e pela nova diretora do Indec, Ana María Edwin. O novo IPC da Argentina é inspirado na fórmula americana, que exclui os componentes mais voláteis da cesta básica e subdivide em vários itens os setores de acordo com o consumo.A substituição de Paglieri era uma das principais reivindicações dos funcionários do Indec, por causa da ligação dela com o controvertido secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, acusado de ser o responsável pela "intervenção" no instituto. Porém, existem poucas expectativas no mercado de que a "maquiagem" dos índices será corrigida e o governo passará a divulgar a inflação real do país. Em nota emitida pelos técnicos do órgão, a saída de Paglieri foi considerada "um sinal positivo", mas eles destacaram que "não é o suficiente para a normalização do Indec". Paglieri foi nomeada para a diretoria da Comissão Nacional de Comércio Exterior.De janeiro passado até novembro, o governo afirma que a inflação é de 7,5% e a anual chega a 8,8%. Mas as consultorias e as universidades afirmam que a inflação real está entre 16% e 20%. Em alguns produtos, a diferença entre o IPC e a evolução dos preços nas prateleiras dos supermercados é enorme. É o caso do quilo da abóbora, por exemplo, que o Indec afirma ser de 1,79 pesos, mas nenhum consumidor encontra por menos que 6 pesos, revelando uma diferença de 234,5%. No caso do quilo da batata inglesa, o produto custa 0,98 centavos para o Indec e 2,99 pesos para o consumidor, uma diferença de 200%.

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