Cristina Kirchner pede a ruralistas que terminem piquetes

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, fez hoje um apelo aos ruralistas para que terminem os piquetes no país. "Eu peço a todos aqueles que crêem que seus direitos foram afetados, que façam os protestos ao lado das rodovias e permitam a passagem dos alimentos para os argentinos; que deixem passar os insumos para que as indústrias e serviços possam seguir cumprindo sua função empresarial no país", afirmou no terceiro discurso público dirigido ao setor agropecuário desde que a crise começou, no dia 13."Em nome de todos os argentinos e argentinas, em nome dos hortifrutigranjeiros que estão perdendo suas pequenas produções, das indústrias pequenas familiares, eu lhes peço, uma vez mais e todas as vezes que forem necessárias, por favor, deixem transitar os caminhões e, por favor, pensem como parte de um país, não como donos do país, mas como parte desse país", apelou, num discurso de, aproximadamente, 30 minutos.Cristina reiterou a defesa em favor do mecanismo móvel de impostos de exportações dizendo que a concentração da cultura da soja tira espaço para a produção de trigo, milho e carne, "que é a dieta básica dos argentinos, e não a soja". Segundo ela, a volatilidade do preço internacional de todas as commodities "nos obriga a utilizar dois sistemas: retenções, para evitar que a cotação internacional provoque a disparada dos preços internos; e as compensações para equilibrar as cadeias de produção".Cristina lembrou que os argentinos consumem quase 70 quilos de carne per capita por ano e 30 de frango. "São quase cem quilos de proteína animal por pessoa, um caso único no mundo, e as retenções não só permitem manter o equilíbrio dos preços internos, mas também incentivar os demais cultivos", destacou, afirmando que, graças ao mecanismo móvel de imposto de exportação, "pela primeira vez na Argentina, reduz-se a retenção de milho e trigo".AgroindústriaA presidente da Argentina também destacou que o governo pagou em 2007 US$ 500 milhões à agroindústria e produtores de alimentos para manter os preços internos. Cristina afirmou ainda que, no dia 11, quando a medida foi tomada, "o preço da tonelada de soja e de girassol era US$ 237 e hoje é de US$ 279". "Eu quero dizer que ainda a totalidade dos produtores, sejam pequenos, médios ou grandes, mesmo com a retenção, não têm perdas."Cristina também mostrou números sobre os produtores de soja e girassol no país: 84 mil. Ela perguntou: "A quantos vamos pagar compensações pelo pagamento das retenções móveis? Para 62.500 produtores, que voltam a ter a mesma rentabilidade que antes de 11 de março." Cristina lembrou que estes produtores beneficiados "representam 80% dos produtores de soja e de girassol do país, os quais produzem um volume de apenas 20% de toda a soja produzida na Argentina". "Outros 20% dos produtores produzem 80% do total de toneladas de soja e girassol produzidos na Argentina, e, destes 20% dos grandes, somente 2,2% têm 46% do mercado."

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