Cristina vai expropriar também YPF Gás

Governo argentino pedirá modificação no projeto encaminhado ao Parlamento para incluir mais uma empresa da espanhola Repsol

KARLA MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO / MADRI , MARINA GUIMARÃES , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h06

O governo argentino vai pedir uma modificação do projeto de expropriação da YPF originalmente remetido ao Parlamento para incluir uma empresa de gás da espanhola Repsol, a YPF Gás. O anúncio foi feito ontem pelo senador Aníbal Fernández (Frente pela Vitória), durante sessão conjunta de três comissões do Senado para debater o projeto que expropria 51% da participação acionista do grupo espanhol na petrolífera argentina YPF.

"Queremos informar aos senadores que a bancada da Frente para a Vitória (partido do governo) vai incluir um anexo ao projeto de lei para expropriar as ações de uma empresa de gás da Repsol", anunciou Fernández oficialmente durante a sessão que deu encaminhamento favorável ao texto para ser votado em plenário na próxima quarta-feira.

O senador disse que não podia antecipar o nome da empresa, mas fontes do mercado informaram que a decisão poderia afetar as empresas Gas Natural BAN ou a Metrogas, que são as únicas nas quais a Repsol Gás S.A. tem participação.

A empresa Metrogas fornece gás a 2,2 milhões de consumidores na Argentina, a maioria em Buenos Aires. A Repsol YPF, através da Repsol Gás S.A. tem 45% da empresa Gas Argentino, que controla 70% do capital de Metrogas. A espanhola detém 30% da companhia Gas Natural Fenosa, que controla 50,4% da Gas Natural BAN.

Ontem em Madri o presidente da Repsol, Antonio Brufau, disse que a Justiça é que fixará o valor da indenização, e não o vice-ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, que "nada entende de valor de empresas". Brufau reagiu à declaração do vice-ministro, que disse que o país não pagaria os US$ 10,5 bilhões exigidos. "Evidentemente, o governo argentino deverá pagar o que deve. Os tribunais são muito obstinados frente a essa barbaridade", disse o executivo.

Ontem, as ações da YPF despencaram 26% na Bolsa de Valores de Nova York, fechando o dia a US$ 14, o menor valor desde junho de 2002. A cotação representa US$ 6 a menos que o valor de referência de segunda-feira, quando as negociações foram suspensas depois do anúncio da nacionalização da companhia. Antes do anúncio, as ações da YPF valiam US$ 23.

Diante da resistência em dialogar com a Repsol, Brufau disse que já "era esperada" a reação do governo argentino. O executivo criticou mais uma vez a decisão da presidente de nacionalizar a YPF, dizendo que "os governos vêm e vão, mas as consequências ficam para todos".

Brufau fez questão de dizer, no entanto, que apesar de a filial argentina ser bastante importante para o grupo espanhol, a companhia "seguirá seu caminho" e que a Repsol é bem maior que a YPF. "Repsol é muito mais que um negócio na Argentina", ressaltou. O executivo deu essas declarações ontem, durante a inauguração da ampliação da refinaria da companhia em Cartagena, na região espanhola de Murcia, no valor de 3 bilhões, o maior investimento já feito na Espanha pela companhia.

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