Crítica a etanol é ação de países ricos contra Brasil, diz Lula

Para presidente, polêmica ocorre pois País não é mais mero coadjuvante na economia global e já exporta etanol

Agência Brasil,

21 de abril de 2008 | 09h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a rebater nesta segunda-feira, 21, as críticas de que a produção de biocombustíveis reduz a área plantada de alimentos e causa alta nos preços dos produtos. "Nós não aceitamos que haja meia conversa sobre a questão do aumento dos alimentos", disse em seu programa de rádio, Café com o Presidente. Lula afirmou que os países ricos precisam flexibilizar no preço dos produtos agrícolas. "Do jeito que está hoje, com o forte subsídio dos Estados Unidos e da União Européia aos seus agricultores, obviamente que fica difícil os países pobres vender algum alimento", afirmou.    Veja também:    Ouça na íntegra o programa 'Café com o Presidente'  ONU defende o etanol e ataca os subsídios agrícolas dos países ricos  Lula pede estudo sobre crise de alimentos  Entenda os fatores da crise dos alimentos    "A polêmica vai acontecer porque o Brasil não é mais coadjuvante. Ou seja, o Brasil é o maior exportador de café, o maior exportador de soja, o maior exportador de suco de laranja, o maior exportador de açúcar, o maior exportador de carne e agora o Brasil é um dos maiores exportadores de minério e agora o Brasil está exportando etanol". "Temos o prazer e o orgulho de, há 30 anos, termos a tecnologia de um combustível renovável, gerador de empregos, seqüestrador de carbono e, muito mais importante, limpo", completou.   No programa, Lula também destacou a sua participação na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), onde falou, entre outros assuntos, sobre a necessidade de aumentar a produção de alimentos "e não ficar culpando os biocombustíveis pelo encarecimento do alimento", disse. "O dado concreto é que nós temos 854 milhões de homens e mulheres e crianças que dormem com fome todo santo dia", afirmou.   "É importante que a gente utilize as terras agricultáveis, as terras disponíveis, para que a gente produza muito mais alimento", completou. No evento, Lula também tratou da Rodada de Doha, acordo da Organização Mundial do Comércio para que os subsídios agrícolas dos países desenvolvidos sejam reduzidos, o que dará condições para que os países pobres aumentem suas exportações em possam competir mais igualitariamente.   Lula participa na África de vários eventos, entre eles inauguração da sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Gana, o que vai permitir, segundo o presidente, que se produza o mesmo efeito na agricultura no continente africano que se produz no Brasil". "Todo mundo sabe que a Embrapa fez a revolução na agricultura brasileira e nós estamos convencidos que a Embrapa pode ajudar vários países africanos a deixarem de ser tão pobres, a terem uma agricultura competitiva", comentou.   Lula retorna nesta segunda ao Brasil. Antes, participará de painel da Unctad, de encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon e de reunião com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy.

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