Crítica à política cambial marca abertura da Couromoda

Setor brasileiro é o terceiro maior produtor do mundo e quarto maior exportador

José Henrique Lopes, da Agência Estado,

14 de janeiro de 2008 | 17h14

Críticas à política cambial marcaram hoje cerimônia de abertura da Couromoda 2008, feira internacional de calçados, artigos esportivos e artefatos de couro, no Anhembi, em São Paulo. Francisco Santos, presidente e fundador da Couromoda, ressaltou o fôlego do setor de couro e calçados do País, que mesmo sofrendo com as adversidades impostas pela valorização do real ante o dólar, segue investindo em bens de maior valor agregado para superar a forte concorrência internacional, sobretudo de produtos do sudeste asiático.Na indústria calçadista, a situação é difícil, segundo Milton Cardoso, presidente da Associação Brasileira das Indústria de Calçados (Abicalçados). O setor brasileiro, terceiro maior produtor do mundo e quarto maior exportador, produziu cerca de 800 milhões de pares em 2007, mas exportou menos - 163,1 milhões de pares entre janeiro e novembro, redução de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando 165,5 milhões de pares deixaram o País."As exportações cresceram para a zona do euro e o Mercosul, mas estão em queda nos Estados Unidos, um sinal claro de que estamos sendo prejudicados pelo câmbio e por uma falta de acordo que nos ofereça benefícios tributários naquele mercado", disse Cardoso.No mercado interno, as vendas aumentaram 9,1%, mas o crescimento da importação preocupa. De acordo com o presidente da Abicalçados, as altas foram de 63% em volume e 59% em valores. "Esperamos que a política de valorização cambial tenha fim, para que possamos prosseguir com o contínuo aumento de produtividade." Estiveram presentes à cerimônia o governador de São Paulo, José Serra, o prefeito Gilberto Kassab, e Ivan Ramalho, secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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