Críticas ao protecionismo marcam abertura da Agrishow

As críticas ao protecionismo agrícola estrangeiro e a relação com a crise mundial de alimentos marcaram os discursos na abertura da 15ª Agrishow, ocorrida hoje em Ribeirão Preto (SP). O presidente da feira, ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmaram que a concessão de subsídios pelos países ricos aos agricultores são uma barreira para o crescimento da agricultura nos países em desenvolvimento.Para Rodrigues, o protecionismo inibe a produção dos países em desenvolvimento, mas, segundo ele, o governo e os produtores brasileiros não podem apenas reclamar. "É preciso que façamos a lição de casa e que haja uma política de renda com a adoção efetiva do seguro rural, a mudança na logística e uma definição final do endividamento agrícola", disse Rodrigues. "Já o produtor tem de investir em uma agricultura sustentável, pois não podemos perder a oportunidade inédita de levar o Brasil para o primeiro mundo", completou.Além das críticas ao protecionismo, Chinaglia lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou diversificar os parceiros comerciais do Brasil, com negócios na África, Ásia e Oriente Médio. O presidente da Câmara elogiou, ainda, a atitude do chanceler Celso Amorim, que rebateu as críticas feitas pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que relacionou a fome mundial aos biocombustíveis. Amorim reafirmou, na semana passada, que o Brasil não usa alimentos na produção de biocombustíveis, como ocorre com o milho nos Estados Unidos.Na abertura do evento, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, que exerceu o cargo entre 1974 e 1979, foi homenageado pelos organizadores e fugiu do discurso de críticas ao protecionismo agrícola dos países ricos. Paulinelli elogiou os investimentos do governo Lula na Embrapa, com o recém-lançado PAC da Embrapa, que prevê investimentos de R$ 914 milhões na estatal de pesquisa agrícola. "Após um apagão tecnológico, houve o reconhecimento do governo, já que corríamos o risco de perder a mais eficiente tecnologia de agricultura tropical do mundo", disse Paulinelli.Com 745 expositores, a Agrishow vai até sábado e deve receber 135 mil visitantes. Devem ser movimentados R$ 800 milhões em negócios, alta de 12,67% sobre os R$ 710 milhões da edição de 2007.

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