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Críticos do regime não leem atas do Copom, diz Fraga

Ex-presidente do BC ainda ataca o governo por pressionar a instituição a baixar rapidamente os juros

Fernando Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

Armínio Fraga, sócio-fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central (BC), fez ontem uma defesa veemente do regime de metas no Brasil, criticando de forma dura os adversários do sistema. "Parece que a maioria absoluta dos críticos não se dá ao trabalho de ler as atas e relatórios do Copom (Comitê de Política Monetária)", disse. Fraga admitiu bem-humoradamente que ele é "suspeito" para falar, como introdutor do regime no País. O ex-presidente do BC fez a palestra de encerramento do primeiro dia do 11º Seminário Anual de Metas para a Inflação, no Hotel Copacabana Palace, no Rio. Para ele, é totalmente falsa a ideia de que o BC tem um modelo secreto que cria uma previsão de inflação e determina as decisões sobre taxa de juros. Fraga explicou que o BC utiliza vários modelos, e que as decisões sempre são tomadas a partir da interação entre os resultados quantitativos e as análises qualitativas.Um dos principais críticos atuais da atuação do BC é o governador de São Paulo, José Serra, apontado como mais provável candidato do PSDB à presidência da República. Fraga foi presidente do BC no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também tucano.Fraga também fez críticas indiretas à pressão do governo atual sobre o BC, ao se referir à "forte e explícita carga dos principais líderes do Executivo para apressar a queda dos juros". Para ele, trata-se de "uma visão voluntarista, de que basta o Banco Central querer". Já no governo de Fernando Henrique, ele recapitulou, o presidente nunca elogiava o BC por baixar os juros. Fraga disse que demorou a entender essa atitude e até estranhava, mas hoje a interpreta como sendo uma forma de "não dar a impressão de que, quando havia aumento, o BC estaria desagradando".Mas, por causa da postura atual de pressionar o BC, que ele vê não só no governo mas também em boa parte da sociedade, Fraga não recomenda que se parta agora para tentar a autonomia formal do Banco Central (na qual governo define a meta e BC tem liberdade para persegui-la - ele é contra a independência total, em que o BC define e persegue a meta sem interferência do governo). Fraga lembra que muitos países latino-americanos, como Argentina, México e Venezuela, tiveram leis boas definindo o papel do BC, mas que foram atropeladas em épocas de crise. Mesmo no Brasil já teve uma lei com disposições bem claras sobre o papel anti-inflacionário do BC. "Essa lei não pegou."Ele recapitulou os dez anos da história do modelo de metas de inflação no Brasil, iniciada em junho de 1999, e todas as crises que enfrentou. Elogiando a continuidade e o aperfeiçoamento do regime ao longo dos governos de Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva, Fraga disse que ''se isto acontecesse em todas as esferas de governo, o País seria melhor''.Fraga listou itens necessários para fortalecer o regime de metas e a estabilidade: redução gradual da meta atual, de 4,5%, até o nível chileno, de 3%; reacomodação em níveis menos estendidos do crédito dos bancos públicos; e controle do crescimento dos gastos públicos correntes, que "se aproximam de 40% do PIB".

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